Medieval: Ordem Militar de Nº Sr. Jesus Cristo


Correndo o ano de 1311 foi extinta a ordem dos cavaleiros do Templo, por sentença que, a instancias de Filipe, o Formoso, rei de França, deu em privado consistório o papa Clemente V. A ordem militar dos Templários florescera por espaço de dois séculos com excelente fama de valor, e piedade, empregando-se já na defesa dos lugares santos de Jerusalém, já no agasalho dos peregrinos que da Europa iam visitar os mesmos lugares. Os motivos de uma tal resolução pontifícia deram grande variedade de opiniões nos diferentes autores, pelo que, com certeza, se não podem indicar precisamente. Sendo geral a extinção da ordem do Templo, não o foram as culpas dos cavaleiros, porque os de Portugal, como os de Castela e do Aragão, justificaram com evidentes provas a pureza dos seus procedimentos, e foram julgados livres dos delitos, que se atribuíram aos de França, onde se dizia que eram comuns a toda a ordem, cujas rendas se incorporaram na coroa do mesmo reino, o que é tido como claro indicio de que Filipe, o Formoso, excitara ao pontífice com falsas informações e indignas violências, a extinguir aquela ordem. Em Portugal, como em Espanha, procedeu-se com um nobre desinteresse e uma generosa cristandade. D. Diniz, que então reinava, podendo acrescentar o património real com as propriedades dos Templários, quis antes fundar com elas outra ordem. Constitui este facto, além disso, una hábil resolução do soberano, que diplomaticamente soube conservar as riquezas duma ordem extinta, para as passar a outra. Alguns autores afirmam que a cúria romana queria, com fúteis pretextos, apoderar-se das enormes rendas dos templários em Portugal (como o fizera noutros reinos) mas D. Diniz, política e patrioticamente, lhas subtraiu, criando em 14 de Agosto de 1318 a ordem de Cristo e dando-lhe esses rendimentos. Com a sua autoridade o sumo pontífice João XXII expediu então a sua bula de 14 de Março de 1319, confirmando aquela instituição. Além dos bens que ficaram dos templários, doou também o rei à nova milícia a vila e fortaleza de Castro Marim no reino do Algarve, dispondo que nela se estabelecesse o convento da ordem, donde, assim por mar como por terra, podia fazer guerra aos moiros de Marrocos e Granada, que inquietavam os nossos mares, e persistiam na teima de invadir e conquistar de novo toda a Espanha. O primeiro mestre que teve a ordem foi D. Gil Martins, que o era então da cavalaria de Avis, e vinha nomeado pelo papa, querendo que entrasse logo na de Cristo mestre que houvesse militado debaixo da regra de S. Bento e reformação de Cister, para instrução dos novos professores, sujeitando-a outrossim à visitação dos abades de Alcobaça, de que só foi isenta por outra bula de Paulo 111, expedida em 1542, no reinado de D. João III. Fez o mestre D. Gil as primeiras Constituições da ordem em 1321; cinco anos depois fez outras o segundo mestre D. João Lourenço, e assim foram continuando seus sucessores, aditando e inovando as coisas conforme o tempo requeria, todas as quais confirmava o abade de Alcobaça, como visitador e reformador desta religião, até que cm 1443, sendo governador da ordem o infante D. Henrique, o primeiro e principal ampliador dela, se procedeu à sua reformação por breve que impetrou do papa Eugénio IV. Aos estatutos que então se fizeram para observância da ordem, e modo de vida dos cavaleiros, acrescentou depois el-rei D. Manuel outras definições, por onde a mesma lhe ficou devendo a legislação e direcção religiosa com que se governava. Corria o ano de 1356 quando o mestre D. Estêvão Gonçalves Leitão, quarto cru ordem dos desta cavalaria, fez a mudança do convento de Castro Marim para Tomar, vendo que aquela vila era de pouca povoação, e que a ordem não tinha cabedal para a povoar e fortalecer como convinha. As razões mais congruentes e verosímeis que a isso o moveram foram sem duvida o ter sido Tomar convento e cabeça da ordem do Templo, estar esta vila situada no coração do reino, donde podiam os mestres acudir a tudo o que tocava à ordem; assim como pela disposição do sítio e capacidade do edifício, em que se podia acomodar tudo quanto convinha a uma religião de tanta estimação e valia. Deste tempo em diante ficou sendo Tomar cabeça da ordem militar de Cristo. Contando do primeiro mestre D. Gil Martins até D. Lopo Dias de Sousa, sobrinho da rainha D. Leonor, teve a ordem sete, que foram em rigor mestres e cavaleiros estreitamente professos desta religião. A este ultimo sucedeu o infante D. Henrique, duque de Viseu, que foi o primeiro que administrou a ordem com o titulo de governador e administrador dela, não querendo fazer profissão com o voto de pobreza por não perder o ducado e mais senhorios que lograva. Com o mesmo título de governador lhe sucedeu seu sobrinho o infante D. Fernando, irmão de el-rei D. Afonso V, e a ele seus três filhos D. João, D. Diogo e D. Manuel, o qual conservou o governo da ordem em todo o tempo do seu reinado. Por sua morte a administrou el-rei D. João II por bula do papa Adriano VI, até que por outra de Júlio III, expedida em 4 de Janeiro de 1551, lhe foi conferida, e a todos os seus sucessores na coroa, ainda que fêmeas, a administração perpetua dos mestrados das ordens militares do reino O hábito dos cavaleiros da ordem militar de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma cruz vermelha, quase quadrada, fendida no meio com outra branca dado que a alguns autores pareça que esta insígnia fosse a mesma que a do Templo, notoriamente é diferente, porque a dos Templários era toda vermelha, e a de Cristo consta daquelas duas cores; nem é crível que o papa lhe permitisse a insígnia da cavalaria que o seu antecessor extinguira, ordenando que de todo se perdesse a memória dela. Não só teve a ordem de Cristo um considerável património dentro do reino, senão que se estendia a sua jurisdição a todas as conquistas de Portugal, de que foi devedora ao imortal infante D. Henrique, o qual depois que se recolheu da conquista de Ceuta, em que teve grande parte, concebeu logo em seu ânimo pensamentos de descobrir e ganhar novas terras, sendo as ilhas de Porto Santo e Madeira as primícias de tão laboriosos cuidados. Por falecimento de D. João I, seu filho e sucessor D. Duarte, respeitando os dispêndios grandes que o infante seu irmão havia feito no descobrimento, povoação e culto destas ilhas, lhas doou por tempo de sua vida, concedendo à ordem de Cristo a perpetua jurisdição espiritual delas. Nos mais descobrimentos e conquistas, que se principiaram debaixo do estandarte da ordem, e com os cabedais do infante D. Henrique, reconheceu o reino o que devia a esta cavalaria; e assim com muita razão todas as armadas que saíam para as nossas possessões ultramarinas levavam os estandartes das armas reais assentes sobre a cruz da ordem de Cristo, reconhecendo que a ela era devida aquela herança, por onde a capitania da Índia não só em seus próprios mares, mas nos de Portugal, tinha preferência ás capitanias reais, não obstante que o cargo de general da armada real de Portugal era preeminente ao de capitão-mor da Índia. Os reis, como tinham esta milícia por sua, a honraram e enriqueceram mais que a nenhuma das outras, dando-lhe 21 vilas e lugares e 454 comendas, em que entravam 45 que se proviam pela Casa de Bragança. Quanto ás dignidades da ordem, a primeira e principal, depois do mestre, era o prior-mor, que tinha jurisdição no espiritual e temporal do convento, exercitando o poder espiritual não só com os clérigos residentes na casa mas com os cavaleiros que viviam separados dela. Ao Dom prior do convento de Tomar pertencia chamar por cartas a capítulo geral para nova eleição de mestre, a quem tomava o juramento de fidelidade e obediência ao papa. A segunda era o commendador-mor, que presidia na ausência do prior, e por falecimento do mestre, no interim da vacante, lhe pertencia governar a ordem. Seguia-se o claveiro, cujo ofício era ter as chaves do convento quando os cavaleiros viviam em comunidade, e ao qual competia distribuir o mantimento É tomar conta dos gastos que se faziam. A quarta dignidade era o sacristão-mor, a quem pertencia em capitulo ter os selos da ordem. A quinta e última dignidade era o alferes, que levava a bandeira nas procissões e em todos os actos de guerra em que ia o mestre. D. Maria I, reformando as três ordens militares por sua carta de lei de 19 de Junho de 1789, estabeleceu entre outras disposições as seguintes: Depois do grão-mestre e do comendador-mor as dignidades serão gradualmente os grã-cruzes, os comendadores e os cavaleiros. Nenhum será grã-cruz sem ser comendador promovido a grã-cruz. Pela mesma lei foram as insígnias de grã-cruz e comendador de cada uma das três ordens militares aumentadas com um coração, em memória do monumento ao Santíssimo Coração de Jesus que a mesma soberana pretendia estabelecer. Os cavaleiros teriam a sua venera como mandavam os antigos estatutos da ordem. Os actuais distintivos da ordem são na forma indicada nas gravuras respectivas, sendo a cruz vermelha aberta em branco, e a fita encarnada.
Fonte: Portugal Dicionário Histórico

Mistico: Origem dos Mistérios



Perde-se, na noite dos tempos, a existência da Doutrina Esotérica. Conheciam-na todos os grandes povos da antiguidade, tanto na Ásia como na África, Europa, América e Oceania, segundo demonstra a universalidade de seus símbolos, gravados em caracteres indeléveis, nos respectivos templos. E quem houver penetrado nas profundezas dessa Ciência, lerá sempre as mesmas verdades, tanto nos muros de Palenque, como nos de Luxor; nos pagodes lavrados na entranha das rochas, na Índia, como nos restos ciclópicos de toda a região mediterrânea, e nos colossos da existência de raças e continentes submersos.
Os brâmanes da Índia, do mesmo modo que os Ioguis do mesmo País; os hierofantes do Egito, os profetas de Israel, os essênios cabalistas, os gnósticos, os druidas, os cristãos, como ainda, todos os filósofos e pensadores, possuíram Doutrinas Esotéricas, ou melhor, a mesma Sabedoria Infinita das Idades.
O Livro dos Mortos do antigo Egito contém a Doutrina Esotérica do Egito; a Filosofia Yoga, o Esoterismo da Índia; a Cabala, a dos hebreus. E assim por diante.
Pela tradição, tem Ela vindo até os nossos dias, embora com certas lacunas e erros, devido a falsas interpretações, pois, como já dizia o mesmo Jesus, "é por baixo da letra que mata, que deve ser descoberto o Espírito que vivifica".
Os ensinamentos da Doutrina Arcaica, por sua vez, dizia Blavatsky, tem uma origem divina, que se perde na noite dos tempos. E "origem divina" não quer dizer uma revelação feita por um Deus antropomorfo, em cima de uma montanha, cercado de raios e trovões, mas segundo o compreendemos, uma linguagem e sistema de ciência comunicado à Humanidade primitiva, por outra tão adiantada, que parecia divina aos olhos daquela.
Diz-se que, no começo, não havia necessidade de Mistérios Iniciáticos. O conhecimento (Vidya) era propriedade de todos, e predominou universalmente durante a Idade de Ouro ou Satya-Yuga. Segundo o comentário, "os homens não haviam ainda praticado o mal, naqueles dias de felicidade e pureza, por serem justamente de natureza mais divina do que terrena.
Porém, ao se multiplicarem rapidamente, múltiplas foram também as idiosincrasias do corpo e da mente. E o espírito encarnado manifestou-se em debilidade. Nas mentes menos cultivadas e sãs, enraizaram-se certos exageros contrários à natureza e consequentes superstições. Dos desejos e paixões, até então desconhecidos, nasceu o egoísmo, pelo qual abusaram os homens de seu poder e sabedoria, até que, finalmente, foi preciso limitar o número dos conhecedores". Assim, teve lugar a Iniciação e seus Mistérios.
Cada povo adoptou um sistema religioso de acordo com a sua capacidade intelectual e necessidades espirituais. Porém, como os sábios prescindissem do culto e das simples formas, restringiram a bem poucos o verdadeiro conhecimento ("Muitos serão chamados e poucos os escolhidos"...).
A necessidade de encobrir a Verdade (donde o termo "Ísis velada"), para resguardá-la de possíveis profanações, fez-se sentir, cada vez mais em cada geração, e assim se converteu em Mistério.
Foi Ele, então, adotado entre todos os povos e países, procurando-se, ao mesmo tempo, evitar discussão a respeito, permitindo, entretanto, que nas massas profanas (os "impúberes-psíquicos") fossem introduzidas crenças religiosas esotéricas inofensivas, adaptadas, no começo, às inteligências vulgares - como "róseos contos infantis" - sem receio de que a fé popular prejudicasse as filosóficas e transcendentais verdades, ensinadas nos Santuários Iniciáticos, mesmo porque não devem cair no domínio público ("Margaritas ante porcus" ou "Não atireis pérolas aos porcos") as observações lógicas e científicas dos fenômenos naturais (tidos como milagres pelos ignorantes), conduzem o homem ao conhecimento das Eternas Verdades, destinadas a aproximá-lo dos umbrais da observação, livre de prejuízos, mais capaz, por isso mesmo, de melhor distinguir as coisas, não com os olhos físicos, mas sim, com os espirituais.
O grande místico hindu Sri Aurobindo teve ocasião de dizer em seu maravilhoso livro APERÇU ET PENSÉES, o seguinte:
"Cada religião ajudou a Humanidade. O paganismo aumentou no homem a luz da beleza, a largura e a altura da vida, a tendência para uma perfeição multiforme.

O Cristianismo deu-lhe uma visão de Caridade e Amor Divinos. O Budismo mostrou-lhe um nobre meio de ser mais SÁBIO, mais doce, mais puro. O Judaísmo e o Islamismo, como ser religiosamente fiel em ação, e zeloso na sua devoção por Deus. O Hinduísmo abriu-lhe as mais vastas e as mais profundas possibilidades espirituais.

Seria uma grande coisa se todas essas visões de Deus pudessem se abraçar (a Frente Única Espiritualista, pela qual vem batalhando a SOCIEDADE BRASILEIRA de EUBIOSE desde o seu início) e se fundir uma na outra; porém, o dogma intelectual e o egoísmo cultural barram o caminho.
Sim, todas as religiões salvaram um grande número de almas, mas nenhuma foi ainda capaz de espiritualizar a Humanidade. Para isso, não é o culto e a crença o necessário, englobando tudo que seja de desenvolvimento espiritual próprio".
Blavatsky, por sua vez, corroborou as nossas palavras: "O Teósofo não crê em milagres divinos nem diabólicos, nem bruxos, nem profetas, nem augúrios, mas, tão somente em Adeptos (Iniciados) capazes de realizar fatos de caráter fenomênico a quem julgar "por palavras ou actos" (isto é, aos que se fizerem dignos de tamanha honra...).

E é a razão porque, para os não iniciados nos referidos Mistérios, tais fenômenos não são mais do que "extravagâncias e fantasias". Mas, em verdade, "fatos estranhos" para os que com eles jamais se preocuparam. Não se deve, pois, negar, seja o que for, sem conhecimento de causa... Ou melhor, sem investigação própria.

São, ainda, de Blavatsky, as seguintes palavras:
"O estudante de Ocultismo (ou Teosofia) não deve professar religião alguma, embora deva respeitar qualquer opinião ou crença para chegar a ser um Adepto".

Seu único dogma, como "livre pensador" é o da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de crença, sexo, casta, cor, etc. Seu único e Supremo Mestre, o Eu-Interno ou Divino, o Espírito, cuja voz é da Consciência emancipada.
Quanto à Ciência oficial, tudo quanto julga como seu - do mesmo modo que as religiões, filosofias, línguas, seja o que for - já pertenceu à Teosofia (ou Ocultismo). Mas, infelizmente - como foi dito em outros lugares - se acha completamente adulterado. Desse modo, a Teosofia começa onde a Ciência oficial termina.
E é assim que a astronomia de hoje é a Astrologia de outrora; a Química, a Alquimia; a Medicina, a Magia Teúrgica, etc., etc.
Em resumo: se no grego tal Sabedoria tem o nome de TEOSOFIA, no sânscrito possui ela outros muitos; chama-se Sanatama-Dhârma, Gupta-Vidya, Brahmâ-Vidya, respectivamente Sabedoria da Lei, Ciência Secreta, Sabedoria Divina, ou ainda, Iluminação, Conhecimento, etc.
O mesmo termo Gnose não quer dizer outra coisa senão Iluminação, Conhecimento Perfeito, donde, Gnósticos, Iluminados, Sábios, etc.
Teósofos ou Néo-platônicos, ecléticos ou harmonistas, eram chamados os filósofos alexandrinos que, com Amônio Sacas, quiseram deduzir da Gnose, o estudo comparado das religiões, normas científicas de conduta.
O mesmo Amônio Sacas não conseguiu religião alguma concreta, e seus sucessores, embora de campos opostos, como Porfírio (o mosaísmo), Jâmblico (a Teurgia egípcia), Proclo (o ocidentalismo), Plotino (Gnose cristã), etc., foram chamados "filaléteos" ou "amantes da Verdade" sem véu religioso.
"Ecléticos ou sincretistas" por seu espírito de crítica; "harmonistas", por buscarem a Suprema Síntese filosófica; "analogistas", por aplicarem a chave hermética de que "o que está em baixo é como o que está em cima"; e Teósofos, enfim, por buscarem para o homem vulgar, a Suprema Ciência da SUPERAÇÃO, que há de fazer dele um rebelde, um Titã, um Prometeu, um Herói, um super-homem, enfim, como diria o vulgo mas em verdade, um Iluminado.
Os termos Buda e Cristo não pertencem a nenhum indivíduo, mas representam categorias a que podem chegar os homens, porquanto, Buda provém do Bodi sânscrito que quer dizer Sábio, Iluminado, etc.
Do mesmo modo que Bod tibetano, com o mesmíssimo significado, como prova ao Tibet se lhe chamar Bod-Yul, ou "País do Conhecimento, da Sabedoria Perfeita", etc. Quanto ao termo Cristo, provém do Krestus grego, que quer dizer: Ungido, Iluminado.
Só o desconhecimento dessa mesma Sabedoria Eterna pode levar os prosélitos das várias religiões existentes, a se degladiarem mútua e estupidamente como se todas elas não fossem "pálidos raios seus". Ou como disse o grande Teósofo espanhol, Mario Roso de Luna, "embaceados espelhos onde a mesma (Sabedoria Eterna) se reflete".
Amônio Sacas foi um grande e eminente filósofo, que viveu em Alexandria, entre o segundo e terceiro séculos de nossa era. Foi o fundador da "Escola Neoplatônica" dos Filaléteos ou "Amantes da Verdade", como foi dito anteriormente. Nasceu de pais cristãos e era pobre.
Possuía, entretanto, uma bondade tão grande, que o cognominaram, desde logo, "Theodactus" ou "ensinado (guiado) por Deus", etc. Venerou a tudo quanto de bom existia no Cristianismo, porém, rompeu com o mesmo e com suas Igrejas, ainda jovem, por não ter encontrado, em seu seio, coisa alguma superior às antigas religiões, mas apenas, cópias e adulterações suas. Seus Mestres foram: Pitágoras e Platão.
Ensinou ele que "a religião das multidões correu sempre pari-passu com a filosofia, e que com esta se foi corrompendo gradualmente, por vícios de conceitos, mentiras e superstições, puramente humanos.
Era necessário, portanto, restituí-la à sua original pureza, por isso mesmo, expurgando-a da escória e interpretando-a filosoficamente, pois o propósito de Jesus foi restabelecer a sua prístina integridade, a Sabedoria da Antiguidade; reduzir o domínio da superstição que prevalecia no mundo, corrigir os erros introduzidos nas diversas religiões e quanto pudesse servir de obstáculo à rápida evolução do homem, na sua marcha para o divino".
Pelo que se vê, era um verdadeiro Teósofo sem deixar por isso, de ser um cristão, budista, etc.
Blavatsky, por sua vez, ensinou "que o Teósofo não deve sujeitar-se às opiniões alheias, formando ele as suas próprias convicções, de acordo com as regras de evidência, que lhe proporciona a ciência a que se dedica, sem atender a encômios de fanáticos sonhadores, nem a dogmatismos teológicos, Jesus pregou uma doutrina secreta e ”secretos“(tanto naquele tempo como hoje) quer dizer, “Mistérios da Iniciação".
Voltaire caracterizou, em poucas palavras, os benefícios dos Mistérios, ao dizer que, "entre o caos das superstições populares, existia uma Intuição que evitou sempre a queda do homem na mais degradante animalidade: a dos ”MISTÉRIOS“.
E justamente por ser "Mistério", é que não pode chegar ao domínio de todos, mas de uma elite (ou de "eleitos", na razão, repetimos, de "muitos serão chamados e poucos os escolhidos") capaz de conduzir a maioria pelo Caminho do Dever, da Honra, do Amor e da Justiça, até que não seja mais necessária a referida seleção, isto é, quando a Humanidade inteira (utopia para os pessimistas de todas as épocas) estiver equilibrada por tão elevados princípios que, a bem dizer, representam os "eubióticos princípios", com que a mesma Humanidade, queira ou não, terá que se regular, sob pena de continuar por muitos séculos ainda, sacudida pelos terríveis vendavais que há tanto tempo servem de obstáculo à sua marcha evolucional para o Divino.
E cujos "vendavais" estão muito bem simbolizados nos Quatro Cavaleiros do Apocalipse: DOMÍNIO, GUERRA, FOME E PESTE.

Mistico: Os Quatro Cavaleiros do Apócalipse



DOMÍNIO, GUERRA, PESTE E FOME! Eis aí os quatro Cavaleiros do Apocalipse. Ninguém os arruma desta maneira, porque nem todos sabem o que eles verdadeiramente representam. Ouçamos, pois, os QUATRO:

DOMÍNIO - Em mim reside o desejo insopitável de dominar a tudo e a todos. E o veneno sutil que destilo por toda à parte, reside também em todas as criaturas. Somente os que alcançaram o último degrau da evolução humana, de mim ficaram isentos. E assim, procuram salvar os demais, quase sempre, inutilmente...
Sim, querem as nações mais potentes dominar as mais fracas. E tudo fazem para invadir o seu território e dele tomar posse. Para isso, empregam todos os recursos... O mesmo fazem os homens vulgares que, de passagem seja dito, representam a grande maioria, raramente entre eles há um que seja amigo do outro, quando o é, é para dominar, vencer, esmagar essa amizade, que logo morre por falta de alento! Sim, para DOMINAR, para vencer... Lançam mão de todos os meios.
Para eles, a calúnia, a difamação, a injúria, a destruição do lar... é nada, é coisa alguma. Vendo em todos o seu próprio reflexo embaciando um pobre espelho, dizem de todos, do seu maior amigo, aquilo que lhes pertence. E já de há muito esqueceram a invectiva de Cristo, ao dizer àqueles que queriam apedrejar a mulher faltosa:

"Aquele que estiver isento deste pecado, que lhe atire a primeira pedra".

Ao contrário, antes que sejam por outros iguais a eles, apedrejados, lançam mão de quantas pedras encontram na sua própria montanha. A montanha construída com as pedras de seu caráter deformado!
Sim, "de ti Jerusalém, não restará pedra sobre pedra!”.
E assim, o domínio dos césares modernos, o domínio dos próprios homens - uns sobre os outros, vai caindo, vai desaparecendo, a fim de que outro Edifício se construa, com as PEDRAS DO NOVO CICLO!

GUERRA - Como irmãos que somos, nascidos do quaternário da Terra, a bem dizer, não temos pais. Cada um de nós o outro completa...
Sim, do DOMÍNIO nasce a GUERRA. E dos dois, PESTE E FOME. Quem ousaria negar semelhante verdade neste "Fim de ciclo apodrecido e gasto?" O mundo é um vulcão que ameaça explodir, fazer tudo voar em estilhaços! As erupções, as lavas, as cinzas que anunciam semelhante fenomeno, de há muito se fazem sentir nas dores, nas angústias dos homens! Nem por isso, eles procuram recuar o passo.
Como disse meu irmão DOMÍNIO, para vencer nessa hora em que não mais vencedores existem... eles lançam mão de todos os meios! Sim, novamente se diz, "para eles a calúnia, a difamação, a injúria, a destruição de um lar, é nada, é coisa alguma. Nem sequer se apercebem de que, com isso, destruindo estão seus próprios lares".
Os tempos mudaram. Ninguém mais se compreende, ninguém mais pode afiançar o que está marcado para o dia seguinte. Tudo é incerteza, abandono, receio, medo... Um pouco mais, e o pavor se apoderará de todas as criaturas... Que fazem as religiões para debelar o mal que cada vez mais se propaga no mundo? Elas não se toleram, odeiam-se como os próprios homens, pois que são as primeiras a dar o exemplo. Desse modo, "benzem os exércitos, as armas, fratricidas", empunhando a velha bandeira do Cristo, cujo lema redentor, continua sendo:

"Amai-vos uns aos outros".
O termo psicopatia tornou-se erroneo, porque tem a necessidade de se apontar uma série infindável de nomes. Hoje, um só basta: a degenerescência psíquica e fisiológica dos homens! E isto, porque o Espírito, como Divina Essência fugiu da maioria, em busca da sua própria Origem. Restavam apenas, o corpo e a alma ou a própria vida definhada que aos homens anima. Já houve alguém que, com muita propriedade, teve ocasião de dizer:

"A cada passo nos acotovelamos pelas ruas das cidades, com seres não mais possuidores da menor parcela divina. Eles vivem, apenas, dos seus próprios atos e pensamentos, pois que de serem maus ou simplesmente terrenos, basta isso para sofrerem e aos demais o mesmo fazerem..."
São os tais que ao próprio Cristo fazia dizer:

"Nolli me tangere". "Não me toques".

Sim, para não fazeres o grande mal de prejudicar a Essência Divina que "em Mim se manifesta". E a prova é que, chamou de "leproso" (leproso moral) a alguém que acabava de abandonar a rocha onde estivera sentado, proibindo a um dos seus apóstolos que, naquele mesmo lugar tomasse assento. E era Ele o AMOROSO, o Redentor do ciclo de PISCIS, que agora se finda, para que venha o de AQUARIUS. Razão porque desenhou no solo um peixe, quando lhe apresentaram "a mulher faltosa".
Sim, quem falasse em GUERRA, o que diria Ele? Respondam os que perseguem os outros, os que provocam guerras, os que a tudo e a todos odeiam, porque somente o ÓDIO é a argamassa de um ciclo agonizante, de que eles mesmos se revestem.
Tudo é mentira, falsidade, erro, crime... Para semelhantes pessoas. Sim, aquela mesma "argamassa", para não dizer, o lastro fatal de um "ciclo apodrecido e gasto".
Eu sou a GUERRA. E só os que a morte venceram me podem compreender, e até fazer desaparecer da Terra...
- Fonte: http://www.misteriosantigos.com/

Esoterico: Pistis Sophia



Os escritos gnósticos mais conhecidos actualmente foram originalmente grafados em copta ou grego. O mais importante deles é Pistis Sophia, uma obra que expõe, em forma de diálogo entre Jesus e seus discípulos, a queda e a redenção de Sophia, vindo a constituir-se na verdadeira essência do cristianismo original mais puro e autêntico, ensinado nada menos que pelo próprio Cristo Jesus.
Sophia alegoriza um Ser nascido ou pertencente ao mundo dos Eons (palavra essa que quer dizer, mesmo correndo o risco de sermos mal compreendidos, "Espíritos Estelares emanados do Desconhecido, seres semelhantes aos Dhyan-Choans hindus" (os Senhores da Luz, segundo a doutrina secreta dos orientais ou a nossa própria divindade interior mais profunda e desconhecida).
Pistis Sophia - o livro - foi publicado pela primeira vez em 1851, na França. Depois, houve uma versão para o inglês, feita por G.R.S. Mead. Mas, qualquer que seja a edição de Pistis Sophia, moderna ou antiga, trata-se de uma obra incompreensível para os não-iniciados. Mesmo a edição comentada do Mestre Samael Aun Weor, que desvela os dois primeiros dos seis volumes de Pistis Sophia, é bastante complexa, não só pelo vocabulário como pelas próprias verdades da Alta Iniciação ali contidas.
Infelizmente, por preconceito ou ignorância, os maiores tesouros do gnosticismo antigo continuam incompreendidos. Mestres e estudiosos, como Samael Aun Weor, H. P. Blavatsky e Karl Jung foram alguns poucos que se atreveram a enveredar pelos caminhos do gnosticismo histórico e de lá retornar com compreensão e entendimento suficientes para explicar algo de seus augustos e reservados mistérios.
Foi principalmente depois da descoberta dos textos de Nag Hammadi que a palavra gnose vem sendo utilizada de forma frequente, até mesmo com outros sentidos e finalidades que pouco tem a haver com a gnose em si. Na esteira dessa descoberta muitas obras de pesquisa apareceram, principalmente nos EUA e na Europa. No Brasil já foram editados os livros de Elaine Pagels ( Os Evangelhos Gnósticos ) e de Joan O’Grady ( Heresia - o jogo de poder das seitas cristãs nos primeiros séculos depois de Cristo ).
A gnose e o gnosticismo tem servido ainda de fonte de inspiração para o cinema internacional, como bem atestar MATRIX - cujo roteiro foi elaborado a partir de pesquisas em fontes gnósticas, dentre outras [ver matéria especial neste portal].

Religião: Manuscritos de Nag Hammadi



A origem dos Livros Apócrifos nos remete ao ano 367 d.C. Por ordem do Bispo Atanásio de Alexandria, que seguia a resolução do Concílio de Nicéia ocorrido em 325 d.C, foram destruídos inúmeros manuscritos dos primórdios do Cristianismo. Esses documentos eram supostamente fantasiosos e deturpavam as bases da doutrina Católica que se estabelecia naquele momento. Porém, cientes da importância histórica destes papiros originais, os Monges estabelecidos à margem do rio Nilo, optaram por não destruí-los. Ao contrário enterraram na base de um penhasco chamado Djebel El-Tarif. Ali ficaram esquecidos e protegidos por mais de 1500 anos…

Em 367 d.c. Por ordem do Bispo Atanásio de Alexandria, foram destruídos inúmeros documentos com tendências heréticas. O bispo seguia uma resolução do Concílio de Bispos de Nicéia, reunida em 325 d.c. Esta ordem era para a destruição dos textos GNÓSTICOS em especial . Porém sabendo da importância destes papiros originais do princípio do Cristianismo, Monges estabelecidos a margem do rio Nilo, optaram por não destruí-los. Esses Monges guardaram os códices de papiros dentro de uma urna de argila e as enterraram-na na base de um penhasco chamado: DJEBEL EL-TARIF.
Em 1945, o camponês Muhamad Ali as-Salmman, encontrou um grande pote vermelho de cerâmica, contendo treze livros de papiro encadernados em couro. No total descobriram cinquenta e dois textos naquele sítio. Decepcionados, levaram para casa, e sua mãe chegou a usar alguns papiros para acender o fogo.
Na primeira análise, a primeira linha traduzida do copta foi:
“Essas são as palavras secretas que Jesus, O Vivo, proferiu, e que seu gêmeo, Judas Tomé, anotou”.
Em 1952, O museu Copta do Cairo, recebeu para sua guarda os manuscritos. Faltava algumas páginas e um códice fora vendido pela família de Mohammed para o Instituto Jung, Zurique. Esses códices passaram a ser chamados; BÍBLIA de NAG HAMMADI, localidade onde fora encontrado os manuscritos.
Antes desta descobertas, só se conhecia os textos Gnósticos pelas citações de outros autores. Dos 53 textos encontrados, 40 eram inéditos, tolamente desconhecidos da comunidade cientifica. Estes Manuscritos foram redigidos em Copta , antiga língua egípcia, que utilizava caracteres gregos.
Os manuscritos, hoje conhecidos como Evangelhos Gnósticos, ou Apócrifos (Apocryphom literalmente livro secreto), revelam ensinamentos, apresentados segundo perpectivas bastante diversas daquelas dos Evagelhos Oficiais da Igreja Romana; como por exemplo este trecho atribuído a Jesus, O Vivo:
“Se manifestarem aquilo que têm em si, isso que manifestarem os salvará. Se não manisfestarem o que têm em si, isso que não manifestarem os destruirá.”
Além dos Evangelhos (ensinamentos atribuídos a Jeus Cristo através de seus apóstolos) outros textos compõem o legado de Nag Hammadi, de cunho teológico e filosófico.
Os papiros encontrados em Nag Hammadi, tinham cerca de 1.500 anos, e eram traduções em copta de manuscritos ainda mais antigos feitos em grego e na língua do Novo Testamento, como constatou-se, ao verificar que parte destes manuscritos tinham sido encontrados em outros locais, como por exemplo alguns fragmentos do chamado Evangelho de Tomé. As datas dos textos originais estão estimadas entre os anos 50 e 180, pois em 180, Irineu o bispo ortodoxo de Lyon, declarou que os hereges:
“dizem possuir mais evangelhos do que os que realmente existem”.
Existe hoje a BIBLIA de NAG HAMMADI, que Compõe-se de:
* Revelações de profetas Gnoses, anteriores a Jesus;
* Escritos Gnósticos, com textos Cristãos;
*Tratados Herméticos - relativos a Alquimia consagrado ao deus egípcio Toth (Deus Hermes para os Gregos)
Acredita-se que os manuscritos foram enterrados por volta do século IV, quando na época da conversão do imperador Constantino, os bispos cristãos, passaram ao poder e desencadearam uma campanha contra as heresias. Então, algum monge do mosteiro de São Pacômio, nas cercanias de Nag Hammadi, tomou os livros proibidos e os escondeu no pote de barro, onde permaneceram enterrados por 1.600 anos !

Religião: Evangelho de João. Escrito quando?



Estudiosos tem considerado a muito tempo que o Evangelho de João tenha sido um dos últimos textos a ser escritos no Novo Testamento. A razão para tal conclusão é que o Evangelho de João foi escrito depois das cartas de Paulo, os Evangelhos Sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) e muitas das últimas cartas são baseadas em uma variedade de evidências que quando consideradas coletivamente sugerem uma data de composição por volta de 90 D.C.

Talvez a suposição mais básica relativa a data da composição do Evangelho de João é a sua teologia em comparação aos outros evangelhos. Especificamente, o quarto evangelho enfatiza a divindade de Jesus e seu papel pré-mortal como deidade (João 1:1, 14). Jesus também parece ser onisciente em vários episódios, tais como na história da mulher no poço em Samaria, quando Jesus sabe detalhes íntimos sobre o estado civil da mulher sem que ninguém lhe diga nada (João 4:16-18). Jesus também declara que ele é um Deus no Evangelho de João (João 8:58) e se associa a Jeová do Velho Testamento. Outras histórias apresentam um retrato muito exaltado de Jesus em comparação ao Evangelho de Marcos, por exemplo, onde Jesus parece estar bravo (Marcos 3:5) ou onde ele parecia estar “fora de si” (Marcos 3:21). Se a teologia e crença em Jesus se desenvolveram de um entendimento mais primitivo para uma crença mais exaltada em Jesus como os estudiosos sugerem, o Evangelho de João é o produto final deste desenvolvimento enquanto o Evangelho de Marcos é o começo.

Um segundo fator importante na discussão é que os evangelhos Sinópticos são claros em uma conversação entre eles e eles têm em comum aproximadamente 90% de seu material, enquanto o Evangelho de João pode ser considerado, com frequência, como um comentário sobre essa prévia conversação. Um exemplo deste fato pode ser encontrado nos registros do Monte da Transfiguração, o qual o Evangelho de João omite, porque a história já havia sido registrada nos três primeiros evangelhos. Muitas das omissões de João podem ser interpretadas desta maneira, ainda que a lógica é claramente circular.

Uma outra consideração importante é que o Evangelho de João pode estar tentando conter certo grupos dissidentes de Cristãos, às vezes designados como Docetistas, por causa de sua crença que Jesus não era, de fato, mortal, mas eles pregam que Jesus somente parecia mortal a nossos olhos. João pode ter tentado suprimir esses clamores incluindo histórias de Jesus comendo peixe (João 21:12-15) e que ele era de carne e habitava entre nós (João 1:14). O movimento Docético é datado, por estudiosos, das últimas décadas do primeiro século e então adentrando o segundo século, o que colocaria o tempo de escrita do Evangelho de João contemporâneo com o surgimento do Docetismo.

Todas essas considerações, incluindo muitas outras, são certamente pronunciamentos subjetivos que não podem ser provados se são de fato reais ou não. As evidências físicas do Evangelho de João são igualmente sem conclusão, portanto nossa única saída é considerar as evidências literárias sobreviventes. Enquanto o modelo erudito de desenvolvimento teológico continuar a segurar o balanço, o Evangelho de João continuará sendo considerado um documento do final do primeiro século que capturou uma das declarações finais teológicas da Igreja do primeiro século. A precaução dos estudiosos determina, entretanto, que a ultima data provável do Evangelho de João permanece uma tentativa de conclusão que é resultado de uma teoria da origem dos Cristãos ao invés de uma teoria literária compreensiva usada para explicar o Evangelho de João em si.

Medieval: Cataros no Sul de França



A maior parte das terras atingidas pela heresia pertencia á província de Narbona, somente a região de Albi estava ligada a província de Bourges. O Languedoc é anexado a França em 1229 pelo Tratado de Meaux.
O êxito da propagação da heresia nos bispados do Languedoc, pode ser explicado pela situação política da região, independente do reino da França, as altas autoridades eram os grandes senhores feudais, o conde de Toulouse e o visconde de Béziers, ambos simpatizantes da heresia cátara.
O arcebispo Berengário de Narbona, da família real de Aragão, descuidará dos assuntos espirituais em favor de questões políticas. A justiça só era executada mediante pagamento e o clero permitia que os padres trabalhassem ou casassem.
Isto propiciou a difusão do catarismo, que clamava pela castidade absoluta, repelindo a autoridade papal, a culto às imagens e ao sacramento. Censuravam os poderes públicos e o direito de julgar e ordenar. Possuíam um ideal de Igreja Santa, com um sacerdócio purificado, vivendo em pobreza evangélica.
O movimento cátaro foi desencadeado pelas pregações do monge Henrique, embora este não fosse cátaro, muitos fiéis após ouvir suas palavras deixaram de pagar os dízimos e de comparecer as igrejas, seus ensinamentos foram combatidos por Bernardo de Clairvaux (São Bernardo). Henrique foi preso, porém , as maiores ameaças a Igreja se situavam em outras esferas. Os maiores aliados dos heréticos pareciam ser os cavaleiros, que os protegiam contra os ataques, da mesma forma agiam a maioria das casas nobres da região. A transmissão da heresia fazia-se de uma domus (casa) a outra, através da palavra falada. A palavra escrita era o meio mais elitista portanto de alcance reduzido.
Esta heresia foi extirpada com dificuldade, devido as relações de poder. As estruturas sociais e a cultura laica aceitavam as doutrinas propagadas pelos Perfeitos e os protegiam da repressão.