Misticismo: Maçonaria



A maçonaria é uma associação de carácter universal, cujos membros cultivam a filantropia, justiça social, aclassismo, humanidade, os princípios da liberdade, democracia e igualdade, aperfeiçoamento intelectual e fraternidade, é assim uma associação iniciática, filosófica, filantrópica e educativa.
Especula-se que a Maçonaria teria nascido do trabalho dos construtores de catedrais medievais, que organizavam-se criando sua própria sociedade, a então Maçonaria Operativa. Estes pedreiros deslocavam-se continuamente de canteiros em canteiros (lodges), livres da autoridade das corporações, da nobreza e da Igreja, e sem compromisso de pagarem impostos. Por isto, o nome de Pedreiros Livres (freemasons ou franc-maçon), cuja importância se desenvolveu do século XII ao XIV.
Com o Renascimento, o Protestantismo opõe-se à Igreja Católica, abalando Roma e provocando uma ruptura dentro do Mundo Cristão. Galileu, baseando suas idéias na ciência e na matemática, abriu aos pesquisadores de sua época um novo mundo e provou que o Universo era infinito. A Ciência progrediu rapidamente e uma divisão foi estabelecida entre o dogma da religião e o mundo de razão.
No fim do século XVII, surgiu a idéia de um deísmo que, pouco a pouco, conduziu à noção de um Criador, como "Grande Arquiteto", criando um mundo de acordo com regras imutáveis.
Possivelmente, a Moderna Maçonaria tenha se originado na Escócia para onde foram, segundo algumas lendas, diversos membros templários, fugindo da Inquisição da Igreja Católica. Eles teriam se associado à Guildas Maçônicas passando a estas, vários de seus conhecimentos filosóficos e esotéricos. O próprio Robert de Bruce, o rei que libertou a Escócia da dominação inglesa, pertencia à sociedade maçônica.
A maçonaria, como a conhecemos hoje, segundo o Dicionário da Maçonaria, de Joaquim Gervásio de Figueiredo, no verbete Franco-maçonaria, "foi fundada em 24 de junho de 1717, em Londres". O termo maçon, segundo o mesmo Dicionário, provém do inglês mason e do francês maçon, que quer dizer 'pedreiro', e do alemão metz, 'cortador de pedra'. A origem da maçonaria está ligada às lendas de Ísis e Osíris, Egito; ao culto a Mitra, vindo até a Ordem dos Templários e a Fraternidade Rosa Cruz. Em 1723, O Rev. Anglicano James Anderson publicou as Constituições da Maçonaria, sendo até hoje documentos universalmente aceites como base de todas as lojas maçônicas.

Esoterismo: Antiga e Mistica Ordem Rosa Cruz (AMORC)



A Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis (AMORC) é uma organização fraternal de caráter rosacruz fundada em 1915 por Harvey Spencer Lewis, está formada por homens e mulheres que se dedicam à investigação, estudo e aplicação prática de ensinos esotéricos. Os membros da Ordem recebem o nome de estudantes e recebem monografías semanais para estudar em seu lar, preferencialmente as quintas-feiras.
Segundo a própria ordem rosacruz AMORC, o propósito da organização é a de proporcionar os meios para que todos vivam em harmonia com as forças cósmicas criativas e construtivas para que consigam obter a saúde, a felicidade e a paz.
A história da Ordem Rosacruz pode classificar-se em tradicional (ou mítica) e cronológica (ou propriamente histórica). Segundo as declarações de Harvey Spencer Lewis, a Ordem Rosacruz ter-se-ia fundado (segundo a tradição) no Egito pelo faraó Akenatón. Segundo AMORC o movimento místico, o que se convertesse depois em Rosacrucismo, teve suas raízes nas tradições das Antigas Escolas dos Mistérios, a filosofia e os mitos do antigo Egito, para o ano 1500 A.C., aproximadamente. Não obstante, a presença do rosacrucismo no antigo Egipto é um mito romântico incompatible com a realidade histórica.
Desde um ponto de vista imparcial e cronológico, fica claro que a tradição rosacruz começa no século XVII com os primeiros manifestos rosacruces da Europa, a Fama Fraternitatis e a Confessio Fraternitatis.
Segundo Spencer Lewis, em 1909 visitou a França em procura de vestígios do movimento rosacruz e pôde comunicar-se com uma velha linhagem da escola em Toulouse, França, que o iniciou nos mistérios da Ordem e lhe encomendou que re-fundasse a organização nos Estados Unidos.
Em 1915, seis anos depois que Max Heindel fundou a Fraternidade Rosacruz, Spencer Lewis iniciou o rosacrucismo egípcio na América, primeiro em Nova York, se transladando depois a Tampa e finalmente a San José (Califórnia), onde estabeleceu a sede mundial.
Segundo as declarações de Harvey Spencer Lewis, a Ordem Rosacruz funciona por ciclos de atividade de 108 anos, seguidos de um período inativo de igual duração. Segundo este cálculo tradicional, a Ordem Rosacruz AMORC deverá fechar suas atividades no ano 2017, tendo em conta 1909 como ano de fundação. No entanto, à medida que a data acerca-se, as autoridades de AMORC têm tentado subestimar o ciclo, afirmando que na atualidade não há mais necessidade de trabalhar com ditos períodos de silêncio.
Em certas teses relativas à história rosacruz, cita-se a uma personagem cujo nome é "Christian Rosenkreutz" (1378-1484) e que se mostra como fundador da Ordem da Rosa-Cruz. Segundo AMORC, este dado não é exato pois a Ordem teria sido fundada muito dantes mas funcionava por ciclos de atividade de 108 anos, seguidos de um período inativo de igual duração. Segundo esta postura (que não está sustentada pelas outras organizações rosacruces da atualidade), quando chegava o momento de proceder a seu resurgimento, se tomavam as disposições necessárias para anunciar a abertura de uma "tumba" na que se encontrava o "corpo" de um "Grande Maestro C.R.C." com jóias raras e manuscritos que habilitavam aos autores da descoberta a proceder a sua acordar para um novo ciclo de atividade. Este anúncio era alegórico e as inicia-lhes "C.R.C." não designavam a uma pessoa que existisse realmente. No século XVII, a Ordem atingiu sua mais alta reputação a partir da publicação e da ampla difusão de três Manifestos impressos na Alemanha e atribuídos a Johann Valentinus Andreae (1586-1654): a "Confessio Fraternitatis", "A Fama Fraternitatis" e de "Os Casamentos Químicos de Christian Rosenkreutz", que datam respectivamente de 1614, 1615 e 1616. Segundo a Ordem AMORC, estes três Manifiestos nos que se misturam os textos históricos e alegóricos, teriam sido redigidos por um Colégio de Rosacruces marcando o começo de um novo ciclo de atividade da Ordem, quem a partir desse momento, se deu a conhecer publicamente baixo o nome de Ordem da Rosa-Cruz".
Em 1693, baixo a direção do Grande Mestre Johannes Kelpius (1673-1708), rosacruces de todos os países da Europa embarcaram para o Novo Mundo a bordo do "Sarah María". A princípios de 1694, desembarcaram em Filadelfia onde se estabeleceram. Alguns anos mais tarde, alguns se deslocaram para o Oeste de Pensilvania e fundaram uma nova colônia. Após ter criado sua própria imprensa, editaram um grande número de obras da literatura mística e introduziram na América os ensinos da Rosa-Cruz. Baixo o impulso destes rosacruces europeus nasceram também numerosas instituições americanas e o mundo das artes e das ciências conheceu um progresso sem precedentes nos Estados Unidos. Personagens eminentes como Benjamín Franklin (1706-1790) e Thomas Jefferson (1743-1826) teriam estado em estreito contacto com a obra rosacruz deste país.
Segundo Reuben Swinburne Clymer, a ordem sucessora destes grupos rosacruces na América é a Rosicrucian Fraternity in America e não a Ordem AMORC, e documentou este fato em um volumoso livro titulado Rosicrucian Fraternity in America.
A principal figura da Ordem Rosacruz AMORC é o Imperador, que é quem guia os destinos da organização. O primeiro Imperador do novo ciclo foi Harvey Spencer Lewis, a quem sucedeu-lhe no cargo seu filho, Ralph Maxwell Lewis. Posteriormente, Lewis nomeou a Gary Stewart como Imperador, mas em circunstâncias pouco claras foi destituído em 1991 e nomeou em seu lugar o francês Christian Bernard, atual líder do grupo.
Gary Stewart continuou com seu labor rosacruz fora da AMORC, fundando a Confraternidade da Rosa cruz (Confraternity of the Rose Cross) que afirma que a natureza da moderna Ordem AMORC tem traído o legado de Harvey Spencer Lewis.
Outro agrupamento que surgiu como consequência deste cisma é a Ancient Rosae Crucis, com sede em Texas, Estados Unidos.
Ainda que o rosacrucismo tenha sido vinculado tradicionalmente a Europa e às correntes de esoterismo ocidental, a AMORC reclama uma vinculacão com os Mestres do Tibet. Neste sentido relaciona ao Mestre teosófico Kout-Houmi Lal Singh com a Ordem e revela que é o Hierofante da Rosacruz, contrariamente às outras organizações rosacruces que assinalam ao Príncipe Racokzy (Conde de Saint Germain).
Para avaliar esta relação com o Tibet, Harvey Spencer Lewis apresentou um livreto titulado "Em vós confio" (Unto Thee I Grant) comentado por Sri Ramatherio, que contém uma série de lições morais. Não obstante, os orientalistas têm assinalado que este livro não é autêntico e que o conteúdo do mesmo concorda mais com a cultura ocidental de princípios do século XX do que com os monges tibetanos anteriores ao século XVIII. Seja como seja, é interessante a influência deste livro em alguns grupos islâmicos de afro-americanos (Moorish Science Tempere) em meados dos anos 20.
Um dos documentos rosacruces mais conhecidos é a Carta Constitutiva da Logia Branca, apresentada em 1920 por Harvey Spencer Lewis e que tem sido criticada por Robert Vanloo, assinalando que a carta está escrita em inglês e possui vários símbolos hebreus, mas "nenhum símbolo ou letra tibetano".

Medieval: Os Cavaleiros Templários



No ano 1118, Jerusalém já era um território cristão. Assim, nove monges veteranos da primeira Cruzada, entre eles Hugh de Payen e Gogofredo de Saint Omer, dirigiram-se ao rei de Jerusalém Balduíno I e anunciaram a intenção de fundar uma ordem de monges guerreiros. Dentro de suas possibilidades, se encarregariam da segurança dos peregrinos que transitavam entre a Europa e os territórios cristãos do Oriente.
Os membros fizeram votos de pobreza pessoal, obediência e castidade. Os denominados Pobres Cavaleiros de Cristo se instalaram numa parte do palácio que foi cedida por Balduíno, um local que outrora foi o Templo de Salomão. Por isso ficaram conhecidos como Cavaleiros do Templo, ou Cavaleiros Templários. Apenas em 1127 no Concílio de Troyes, o Papa Honório II outorgou a condição de Ordem, concedendo um hábito branco com uma cruz vermelha no peito. O símbolo era um cavalo montado por dois soldados, numa alusão a pobreza.
A Ordem desenvolveu uma estrutura básica e se organizou numa hierarquia composta de sacerdotes até soldados. A esta altura, constituída não apenas por religiosos mas principalmente por burgueses, os Templários se sustentavam através de uma imensa fortuna que provinha de doações dos reinados. Durante um período de quase dois séculos, a Ordem foi a maior organização Militar-Religiosa do mundo. Suas atividades já não estavam restritas aos objetivos iniciais. Os soldados templários recebiam treinamento bélico; combatiam ao lado dos cruzados na Terra Santa; conquistavam terras; administravam povoados; extraíam minérios; construíam castelos, catedrais, moinhos, alojamentos e oficinas; fiscalizavam o cumprimento das leis e intervinham na política européia. Além de aprimorarem o conhecimento em medicina, astronomia e matemática. Houve até mesmo a criação de um sistema semelhante ao dos bancos monetários atuais.
Ao iniciar a viagem para a Terra Santa, o peregrino trocava seu dinheiro por uma carta de crédito nominal que lhe era restituída em qualquer posto templário. Assim, seus bens estavam seguros da ação de saqueadores. O poder dos Templários tornou-se maior que a Monarquia e a Igreja.
As seguidas derrotas das Cruzadas no século XIII, comprometeram a atividade principal dos Templários, e a existência de uma Ordem Militar com tais objetivos já não era necessária. Neste mesmo período, o Rei Felipe IV - O Belo - comandava a França. Diferente da maioria dos monarcas que eram subalternos à Igreja, Felipe se engajava em campanhas aliadas ao Clérigo, em troca de benefícios políticos.
Felipe IV devia terras e imensas somas em dinheiro aos Templários. Assim, propôs ao arcebispo Beltrão de Got uma troca de favores. O monarca usaria sua influência para que o religioso se tornasse Papa. Por sua vez, Beltrão de Got se comprometeria a exterminar a Ordem dos Templários assim que alcançasse o papado. Apenas um Papa possuía poder político para fazê-lo. No ano de 1305, Beltrão de Got sobe ao Trono de São Pedro como o Papa Clemente V.
Neste momento tinha início as acusações contra os cavaleiros e a implacável perseguição em toda a Europa. O processo inquisitório contra os Templários se estendeu por vários anos sob torturas e acusações diversas, como heresia, idolatria, homossexualismo e conspiração com infiéis.
Os condenados eram levados à fogueira da Inquisição. Na França, o último Grão-Mestre da Ordem, Jacques de Molay, e outros 5 mil cavaleiros foram encarcerados pelos soldados do Rei Felipe.
Na Grã-bretanha, a Ordem foi dissolvida pelo Rei Eduardo II. Na Alemanha e Suíça, os Cavaleiros foram declarados inocentes mas a Ordem também foi suprimida. Finalmente, em 18 de março de 1314, Jacques de Molay foi levado à fogueira da Santa Inquisição às margens do Rio Sena, em Paris.
Há uma lenda, que agonizante em meio às chamas, o líder dos Templários amaldiçoou o Papa Clemente V e o Rei Felipe, dizendo que se os Templários tivessem sido injustamente condenados, o Papa morreria em no máximo 40 dias e o Rei dentro de um ano. O Papa morreu 33 dias após a execução de Molay e o Rei em pouco mais de 6 meses.
Em toda a Europa, a Ordem dos Templários foi oficialmente extinta. Seus bens, o imenso contingente do exército e sua estrutura foram diluídos em outras Ordens menos expressivas. Atualmente, a Ordem Rosa Cruz e a Maçonaria se consideram ascendentes diretas dos Cavaleiros Templários.

Esoterismo: O Santo Graal



Ao longo da história do cristianismo, a veneração por relíquias sagradas foi uma das mais corriqueiras demonstrações de fé vinculadas ao catolicismo. Esse tipo de experiência de fé visava reforçar materialmente a crença na história de vida dos santos e de Jesus Cristo. Por isso, principalmente a partir da Idade Média, as relíquias se transformaram em alvo da adoração e da constituição de várias lendas que descreviam os grandes poderes destes artefatos sagrados.

Em meio a tantas relíquias, o Santo Graal tem um significado especial, pois se trata de um suposto objeto utilizado por Cristo durante a Última Ceia. Ao longo do tempo, as interpretações e simbologias em cima desse objeto sagrado ganharam novas versões que, inclusive, inspiraram a narrativa do best-seller “O Código da Vinci”. Contudo, os estudos sobre o cristianismo primitivo em pouco contribuem para que essa crença se transformasse em realidade.

No primeiro século, os valores cristãos eram populares entre pessoas de origem humilde e que não tinham condições de ostentar nenhum tipo de luxo material maior. Por isso, caso o Santo Graal realmente existisse, não poderíamos imaginá-lo como um utensílio sofisticado e valioso. Além disso, os próprios relatos sobre a Última Ceia contidos nos evangelhos bíblicos não fazem nenhuma menção especial a qualquer objeto utilizado na última celebração entre Cristo e seus apóstolos.

No entanto, com o passar dos séculos, outros textos considerados sagrados foram responsáveis por articular a lenda que se criou em torno do Santo Graal. Em um desses textos, também conhecidos como evangelhos apócrifos, encontramos a menção de um cristão que, durante o julgamento e a crucificação de Cristo, teve o cuidado de zelar por utensílios supostamente utilizados pelo líder messiânico. Dessa maneira, estariam nesses relatos a origem do mito sobre o copo da Última Ceia, o Santo Graal.

Um dos responsáveis por dar continuidade ao mito do Graal foi um poeta medieval francês chamado Chrétien de Troyes. Em um de seus poemas épicos, Troyes contava a história de Percival, um camponês que se juntou aos cavaleiros do Rei Arthur e se lançou ao mundo em busca de aventuras. A certa altura da história, o cavaleiro Percival se depara resignadamente com uma procissão onde alguns cristãos carregavam valiosas relíquias, sendo uma delas “um graal”.

A história, que não teve prosseguimento pela morte de seu autor, diz em suas partes finais que o Graal avistado pelo cavaleiro tinha o poder de evitar várias intempéries. Apesar de mal explicada, a história do poeta francês foi importante para que o caráter divino do Graal fosse posteriormente explorado por outros escritores. Segundo alguns estudiosos, o termo “graal”, primeiramente utilizado por Troyes, faz referência a um tipo de prato raso, e não ao cálice que costuma simbolizar a famosa relíquia.

Algumas décadas após a morte de Troyes, a história por ele iniciada foi retomada por vários autores que reinventaram os destinos de Percival e o valor daquele graal. Em meio às reinvenções, os cavaleiros do rei Arthur perseguiriam o Santo Graal com o objetivo de curar e instruir o lendário rei Arthur. Entre os cavaleiros estava o puro Galahad, que ao encontrar a relíquia descobre importantes revelações sobre o mundo.

Na Idade Moderna, as famosas histórias do Santo Graal e das demais relíquias do mundo medieval se depararam com as críticas do movimento protestante. A crença e a compra das relíquias eram atacadas como um tipo de atividade contrária a outras mais importantes práticas cristãs. Contudo, a lenda conseguiu sobreviver ao longo do tempo e, no século XIX, foi relacionada com a Ordem dos Cavaleiros Templários, ordem religiosa criada no século XII com a missão de proteger a cidade de Jerusalém.

Essa interpretação histórica foi fundada a partir da leitura de um poema alemão intitulado como “Parzival”. Nessa obra, o graal é descrito como uma pedra protegida por um grupo de guerreiros chamados de “templeisen”. Anos depois, saberiam que esses indícios que ligavam o graal aos templários era fruto de uma interpretação errônea dos termos encontrados no poema alemão. Contudo, essa vinculação foi tomada como verdade durante um bom tempo.

No final do século XIX, em meio ao “boom” das descobertas arqueológicas, um grupo de pesquisadores resolveu imitar o fictício Percival, e assim saíram em busca do Santo Graal. Com o início da empreitada, vários “graais” foram encontrados e posteriormente desmascarados. No entanto, a lenda do graal ganhou um novo fôlego com o surgimento de grupos esotéricos que compreendiam o Santo Graal como um conjunto de textos sagrados de profunda importância religiosa.

A última e mais famosa versão sobre esse mito tenta levantar indícios pelos quais o Santo Graal, na verdade, faria uma truncada menção à expressão “sangue real”. Com base em tal premissa, acreditariam que o sangue real supõe a existência de uma linhagem de descendentes de Jesus Cristo que, segundo outras supostas fontes documentais, teria deixado herdeiros a partir de sua união com Maria Madalena. E assim, a lenda do graal cresce com novas, acalentadoras e instigantes promessas.

Misticismo: O Priorado do Sião



De acordo com as divulgações de Pierre Plantard, recolhidas pelos autores anglo-saxónicos Henry Lincoln, Michael Baigent e Richard Leigh e publicadas na obra Holy Blood, Holy Grail, o Priorado de Sião teria sido uma sociedade secreta fundada em Jerusalém, em 1099, que jurara proteger um segredo acerca do Santo Graal, entendido por estes autores como uma hipotética descendência humana de Jesus Cristo.
História:
O Priorado de Sião foi declarado legalmente como uma associação francesa a 20 de Julho de 1956. O pedido de autorização de constituição foi efetuado a 7 de Maio de 1956, na Sub-Prefeitura de Polícia de Saint-Julien-en-Genevois (Alta Sabóia), mediante uma carta assinada pelos quatro fundadores: Pierre Plantard (1920-2000), André Bonhomme, Jean Deleaval e Armand Defago. A sede social estava estabelecida na casa de Plantard, em Sous-Cassan, Annemasse, na Alta Sabóia. O texto de constituição, conforme consta no Journal Officiel, número 167, segundo Pierre Jarnac, é o seguinte: "25 juin 1956. Déclaration à la sous-préfecture de Saint-Julien-en-Genevois. Prieuré de Sion. But: études et entr'aide des membres. Siège social: Sous-Cassan, Annemasse (Haute-Savoie).".

O objecto da sociedade era:
"A constituição de uma ordem católica, destinada a restituir numa forma moderna, conservando o seu carácter tradicionalista, o antigo cavaleiro, que foi, pela sua acção, a promotora de um ideal altamente moralizante e elemento de um melhoramento constante das regras de vida da personalidade humana".

O Priorado e os Templários:
Segundo Plantard, os Cavaleiros Templários e o Priorado de Sião seriam duas facetas de uma mesma organização: a primeira pública e a última secreta. Plantard afirmava que a Igreja Católica tinha traído os Merovíngios ao legitimar a dinastia carolíngia. Segundo Plantard, o Priorado teria como missão proteger os descendentes da dinastia merovíngia, organizando-se contra a Igreja Católica:
"… os descendentes merovíngios estiveram sempre na base de todas as heresias, desde o arianismo, passando pelos cátaros e pelos templários até à franco-maçonaria. Com o nascimento do protestantismo, Mazarin em Julho de 1659 fez destruir o seu [dos descendentes merovíngios] castelo de Barberie que datava do século XII (Nièvre, França). Esta casa não tem gerado através dos séculos senão agitadores secretos contra a Igreja…"

Segundo Plantard, em 1188 o Priorado de Sião ter-se-ia separado dos Templários, passando a operar às escondidas (Plantard chamou a esta separação "corte do olmo"), tornando-se uma "sociedade secreta" da elite, enquanto os Templários foram violentamente atacados pelo rei francês Filipe IV, o Belo e pelo Papa Clemente V. Em 13 de Outubro de 1307, Filipe IV ordenou a prisão de todos os Cavaleiros Templários. Este evento deu origem à superstição do azar nas sextas-feiras 13. Uma lenda diz que na noite anterior à detenção, um número desconhecido de Cavaleiros teria partido de França com dezoito navios carregados com o lendário tesouro da Ordem. Uma parte desses navios teria aportado na Escócia e os Templários ter-se-iam fundido noutros movimentos, fazendo sobreviver as suas ideias heréticas ao longo dos séculos seguintes sob a capa dos ritos maçons.

Medieval: Históra dos Templários



Pobreza Dos Cavaleiros e Poder Financeiro Da Ordem
A regra dos Templários, extraída da regra cisterciense de são Bento, é marcada sobretudo por grande austeridade: os irmãos, reconhecidos por seu hábito branco com uma cruz vermelha na frente, fazem os votos de obediência, pobreza e castidade. Devem assistir à missa todos os dias, vestir-se de modo simples e comer aos pares no mesmo prato.
Votados à defesa dos peregrinos e dos caminhos que conduzem à Terra santa, os Templários tomam parte sempre mais ativa nos combates sangrentos em que se enfrentam cristãos e mulçumanos. A fim de desempenhar esse novo papel, os monges-soldados se cercam de numerosos auxiliares: capitães de exército, capelães e servidores. Na chefia da Ordem, o grão-mestre é assistido por um conselho, o capítulo, e por oficiais. Os territórios protegidos e logo administrados pelos Templários são divididos em províncias. Desenvolve-se assim toda uma rede de comendadorias que são a um tempo praças fortes e áreas de cultivo, mas também “sucursais” encarregadas de recolher dinheiro destinado a financiar as operações no Oriente.
O ideal cavaleiresco e religioso dos Templários suscita tamanho respeito que a ordem se enriquece consideravelmente. Os donativos afluem e muitos jovens, oriundos das melhores famílias, abandonam tudo para aumentar as fileiras dessa piedosa cavalaria. No início do século XIV, não menos de duas mil comendadorias se espalham pelos reinos da Europa e até na Palestina, constituindo uma vasta e segura rede capaz de angariar e fazer circular somas consideráveis, de tal modo que os templários se tornam poderosos banqueiros, cuja fortuna não deixa de atiçar a cobiça.

Nas Chamas da Fogueira
Os reveses sofridos pelos francos na Terra santa anunciam o fim dos Templários. Desde a perda definitiva da Palestina em 1291, de fato, não têm mais razão de existir e a ordem já se dedica quase somente a defender seus interesses financeiros. Isso para grande dano do rei da França Fillipe, O Belo, o qual não esquecera que em 1250 os Templários haviam recusado emprestar o dinheiro do resgate exigido para libertar seu avô, São Luís, que havia caído nas mãos dos mulçumanos. Se o soberano cobiça as riquezas da Ordem, está igualmente animado por uma piedade sincera e não fica insensível aos rumores persistentes que circulam, denunciando os Templários como hereges.
A questão é confiada a um dos fiéis conselheiros do rei, Fillipe de Nogaret, que desencadeia, em vários pontos do reino, a mais espetacular operação policial jamais vista. No dia 13 de outubro de 1307, quase uma centena de dignitários da Ordem é detida, inclusive o grão-mestre Jacques de Molay. Sob tortura, todos confessam uma conduta ímpia e atos sacrílegos que os condenam. O Papa Clemente V tenta interceder em favor dos Templários, porquanto vários deles renegam suas confissões. Mas Fillipe, o Belo, se mostra inflexível. Trinta e seis cavaleiros morrem por causa dos maus tratos que lhes são infligidos, 54 são queimados vivos em maio de 1310. O papado, cujo apoio até então nunca havia faltado, resolve dissolver a Ordem em 1312. Por sua vez, Jacques de Molay se retrata. Considerado como relapso – isto é, convencido de ter recaído na heresia ao renegar suas confissões – também é condenado à fogueira. Seu suplício teve lugar no dia 18 de março de 1314. Com ele desaparece nas chamas da Inquisição a Ordem religiosa e militar mais poderosa que a Idade Média conhecera, perigosa rival de um rei da França decidido em se apoderar de suas riquezas. Poderosa demais, sem dúvida, para desaparecer definitivamente; começa então a segunda vida dos Templários, subterrânea e lendária.

Sodomitas, Maometanos e Esotéricos
O processo dos Templários tinha o único objetivo de desacreditar a Ordem e, para tanto, nada poderia ser mais eficaz do que as mais loucas acusações, confirmadas por confissões perturbadoras. Alguns deles reconheceram, de fato, sob tortura, não somente cuspir na cruz, mas também se entregar à sodomia entre eles. Alguns evocaram o culto de um misterioso ídolo, Bafomet, cuja a descrição varia de uma testemunha a outra: figura demoníaca, personagem andrógeno, de madeira ou de metal, dele, no entanto, jamais foi encontrado vestígio em nenhuma comendadoria. Alguns pensam que a chave da abóbada da igreja de Saint-Merry de Paris representa, sob os traços de um demônio a um tempo barbudo e de fartos seios, Bafomet, e que seu nome seria a deformação daquele do profeta Maomé. De fato, é uma acusação recorrente feita aos Templários: sua demasiado intensa proximidade com os sarracenos. É verdade que os elementos arquitetônicos mulçumanos foram importados no Ocidente por intermédio dos Templários. Entre eles, motivos decorativos simbólicos e iniciáticos orientais que influenciaram a arte gótica nascente. A partir daí fazer os cavaleiros do Templo magos alquimistas versados nos segredos do Oriente, basta um passo.
E para fazer desses monge-soldados depositários de um grande segredos, não se deixa de constatar o estranho ritual que preside a entrada na Ordem, o ritual parecido, certamente com a imposição da armadura ao cavaleiro, mas que deixa entrever muitos aspectos misteriosos. De fato, o futuro cavaleiro deve solicitar três vezes sua “entrada no Templo”, antes de ser aceito. Cercado de doze Templários, pronuncia seus três votos e presta juramento de joelhos, depois de ter ouvido uma fórmula enigmática que o previne de que “de nossa Ordem, só vês a casca que está por fora”… Misteriosa igualmente a constante referência a simbologia dos números: os Templários vazem três votos, têm direito a três cavalos, três comunhões por ano, comem carne três vezes por semana… Quanto a figura geométrica do triângulo eqüilátero, que orna com freqüência suas capelas, refletiria a simbologia medieval clássica ou um código ocultando uma mensagem esotérica?

Séculos de Caça Ao Tesouro
Muita estranheza e mistério cerca realmente a Ordem dos Templários para que ainda hoje não se acredite na dissimulação de um segredo que não deve ser revelado a qualquer custo. Quando de seu processo o comendador do Templo de Laon, Gervais de Beauvais, não evocou por ventura a existência de uma regra secreta conhecida somente por reduzido número de iniciados? Dessa pretensa regra secreta nada se saberá até o final do século XVIII, quando o bispo de Copenhague jura ter encontrado uma descrição dela num manuscrito conservado no Vaticano… manuscrito que deixará que seja furtado! Em 1877, é um erudito alemão, Mertz Dorff, que exuma de uma loja maçônica de Hamburgo um documento que nada mais seria que a famosa regra dos Templários. Os especialistas confirmaram em seguida que se tratava de documento falso, mas mesmo assim fez correr muita tinta e alimentou abundantemente a imaginação de muitos.
Outro pretenso segredo fez correr mais tinta ainda e contribui para adensar a cortina de mistério que cerca os Templários: é o de seu fabuloso tesouro. A Ordem, é verdade, era imensamente rica – fortuna que não é estranha à sua ruína – e, se seus bens fundiários e imobiliários foram transferido à Ordem rival dos Hospitalários, não foi encontrado tesouro algum em nenhuma das comendadorias. Advertidos do complô que se tramava contra eles, cavaleiros teriam podido fugir para por este tesouro em lugar seguro? Muitos escavam ainda… Esperavam encontra-lo no castelo de Gisors, naquele de Chinon, onde foram detidos dignitários da Ordem, na região de Auvergne, na floresta do Leste na região de Champagner, na Inglaterra… Não seria o tesouro dos Templários que o padre Saunières, pároco de Rennes-Le-Château, que se tornou repentinamente rico, teria descoberto em 1886?

Uma Posteridade Ao Mesmo Tempo Fantástica e Trágica
Misturando ideal cavaleiresco das Cruzadas, fascínio do Oriente, fervor religioso da Idade Média e isca do ganho, a lenda dos Templários suscitou um grande número de autoproclamados herdeiros da Ordem, os mais célebre, sem dúvida, Bernard Fabré-Palaprat, um médico oriundo de uma loja maçônica parisiense, que fundou uma organização templária e se proclamou o 22º Grão-Mestre de uma ordem que teria, segundo ele, atravessado os séculos na maior descrição, sob a autoridade de personalidades tão célebres como Bertrand du Guesclin ou a grande Condé. No dia 18 de março de 1808, Fabré-Palaprat chegou até a organizar, com grande pompa, a comemoração do suplício de Jacques Molay, obtendo para isso o aval das autoridades. Napoleão mandou cercar a cerimônia com um destacamento da infantaria, sem dúvida, para controlar os atos desses singulares templários.
O “boato templário” alimentou mais recentemente uma nova lenda que faz dos cavaleiros do Templo os guardiões do Grau. Em 1982, três jornalistas anglo-saxões publicam O Enigma Sagrado, no qual afirmam – entre outras elucubrações – que a dinastia dos Merovíngios descenderia dos amores de Cristo por Maria Madalena e que uma Ordem secreta, o Priorado de Sião, fundado em 1099 durante a primeira cruzada, seria o guardião do santo Graal. O próprio Priorado de Sião reaparece em 2003 no Livro Código Da Vinci, de Dan Brown. O Priorado estaria na origem dos Templários, encarregados de preservar um estrondoso segredo que ameaçaria a Cristandade (sempre os amores comprometedores de Jesus pela bela Maria Madalena!). Estranha sociedade secreta, de fato, esse Priorado de Sião, nascido da imaginação de certo Pierre Plantard, iluminado e mitômano, e cujos estatutos de associação pela lei de 1901 foram registrados no dia 7 de maio de 1956 (e não em 1099!) numa sub-prefeitura da Alta Sabóia…
Em torno da além – ou das lendas – dos Templários, constituiu-se também considerável número de seitas; a mais tristemente célebre é a OTS, ou Ordem do Templo Solar, fundada em 1984 por Joseph Di Mambro, e um médico belga, Luc Jouret. Supondo estar inscrita na continuidade da cavalaria espiritual do Templo, composto por fanáticos, entrou na história em 1994 com o suicídio coletivo de seus membros que acreditavam, uma vez purificados pelo fogo, tornar-se autênticos “mestres secretos do Templo”…
Desse modo, uma Ordem perfeitamente pública, fundada por cavaleiros íntegros, não deixou de suscitar, no decorrer dos séculos, sociedades secretas e às vezes perigosas, apresentando-se como guardiões dela, e hoje ainda continua a alimentar muitos mitos.

Fonte: Livro: Sociedades Secretas – Larousse


Religião: Livros Apócrifos (Gnóstico)


A palavra Apócrifo vem do grego Apokryphos e significa oculto ou não autêntico. Mas este termo é usado, principalmente para designar os documentos do início da era Cristã, que abordam também a vida e os ensinamentos de Jesus, mas não foram inclusos na Bíblia Sagrada por serem considerados ilegítimos.
A origem dos Livros Apócrifos (também chamados de Livros Gnósticos; do grego Gnosis, que significa Conhecimento) nos remete ao ano 367 d.C. Por ordem do Bispo Atanásio de Alexandria, que seguia a resolução do Concílio de Nicéia ocorrido em 325 d.C, foram destruídos inúmeros manuscritos dos primórdios do Cristianismo. Esses documentos eram supostamente fantasiosos e deturpavam as bases da doutrina Católica que se estabelecia naquele momento. Porém, cientes da importância histórica destes papiros originais, os Monges estabelecidos à margem do rio Nilo, optaram por não destruí-los. Ao contrário, guardaram os códices de papiros dentro de urnas de argila e as enterraram na base de um penhasco chamado Djebel El-Tarif. Ali ficaram esquecidos e protegidos por mais de 1500 anos.
Em 1945, Mohammed Ali Es-Samman e seus irmãos, residentes na aldeia de El-Kasr, estavam brincando próximos ao penhasco, quando encontraram as urnas escondidas durante séculos. Pensando que se tratava de ouro, acabaram quebrando uma das urnas, mas só encontraram 13 códices com mais de 1000 páginas de papiro. Decepcionados, levaram para casa, e sua mãe chegou a usar alguns papiros para acender o fogo.
Em 1952, o museu Copta do Cairo recebeu os manuscritos para sua guarda. Faltavam algumas páginas e um códice fora vendido pela família de Mohammed para o Instituto Jung, de Zurique. Esses códices passaram a ser chamados Bíblia de Nag Hammadi, localidade onde fora encontrado os manuscritos. Antes desta descoberta, só se conheciam os textos Gnósticos pelas citações de outros autores. Dos 53 textos encontrados, 40 eram totalmente desconhecidos da comunidade científica. Estes Manuscritos foram redigidos em Copta, antiga língua egípcia, que utilizava caracteres gregos.
Em 1947, dois pastores descobriram em uma gruta próxima ao Mar Morto, fragmentos e rolos escritos em hebraico. Logo se percebeu a grandiosidade desta descoberta. Havia textos condizentes com a Bíblia e outros textos apócrifos. A partir de então, outras grutas foram sendo encontradas, contendo muito material em grande parte identificado como sendo do Antigo Testamento. Até este momento, todas as grutas encontradas continham material escrito em hebraico e aramaico. Porém, em 1955 foi descoberta uma gruta que continha papiros e jarros com escrita em grego. Comprovou-se que se tratavam dos mais antigos manuscritos já descobertos pelo homem, datados de tempos anteriores aos dias de Cristo.
Um dos rolos, o mais conservado, apresenta uma cópia do Livro de Isaías que, ao ser comparado com as cópias modernas, trouxe a certeza de que não houve nesses dois milenios, nenhuma alteração de sua mensagem profética. Encontra-se também O Manuscrito de Lameque, conhecido como O Apócrifo de Gênesis, que apresenta um relato ampliado do Gênesis. Há ainda A Regra da Guerra, que narra a grande batalha final entre os filhos da luz e os filhos das trevas; sendo os descendentes das tribos de Levi, Judá e Benjamim, retratados como os filhos da luz, e os Edomitas, Moabitas, Amonitas, Filisteus e Gregos, representados como os filhos das trevas.
Dois anos após a primeira descoberta, foram encontradas as ruínas do Mosteiro de Khirbet Qumran, uma propriedade dos Essênios. Onde provavelmente teriam sido confeccionadas as cópias das Sagradas Escrituras. Com certeza, pelo mesmo motivo que os monges de Nag Hammadi enterraram os códices dos Evangelhos Apócrifos, os essênios esconderam nas grutas de Qumran, no Mar Morto.
Como vimos, foi através dessas descobertas que atualmente temos acesso a esses livros Apócrifos que deveriam, de acordo com a Igreja Católica, ter sido destruídos há muitos séculos.
Não sabemos exatamente qual o critério usado pela Igreja para designar os livros que eram apócrifos ou canônicos (do grego Kanón - catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica). Mas provavelmente, era apenas uma conveniência daquela época. O mais interessante, é que a própria Igreja Católica reconhece que muitos desses textos foram escritos por autores sagrados. E por que então não reconhecê-los como canônicos? E por que tais textos foram perseguidos e condenados durante séculos?
Actualmente, a Igreja Católica reconhece como parte da tradição os Evangelhos Apócrifos de Tiago, Matheus, O Livro sobre a Natividade de Maria, o Evangelho de Pedro e o Armênio e Árabe da Infância de Jesus. Mas a maioria dos livros não é reconhecida. Ao todo são 112 livros, 52 referentes ao Antigo Testamento e 60 em relação ao Novo Testamento. Dentre eles estão Evangelhos (como o de Maria Madalena, Tomé e Filipe), Actos (como o de Pedro e Pilatos), Epístolas (como a de Pedro à Filipe e a Terceira Epístola aos Coríntios) e Apocalipses (como de Tiago, João e Pedro) Testamentos (como de Abraão, Isaac e Jacó). Além de A Filha de Pedro, Descida de Cristo aos Infernos, etc.
Diante de tudo isso, é difícil compreender como é possível um livro considerado sagrado, ser além de escrito, formulado pelos homens conforme suas idéias retrógradas e conveniências políticas e sociais. É apenas mais um motivo para se contestar a Antiga Igreja Católica, já tão bem conhecida pela sua "Autoridade Divina".