Medieval: Ordem Militar de Nº Sr. Jesus Cristo


Correndo o ano de 1311 foi extinta a ordem dos cavaleiros do Templo, por sentença que, a instancias de Filipe, o Formoso, rei de França, deu em privado consistório o papa Clemente V. A ordem militar dos Templários florescera por espaço de dois séculos com excelente fama de valor, e piedade, empregando-se já na defesa dos lugares santos de Jerusalém, já no agasalho dos peregrinos que da Europa iam visitar os mesmos lugares. Os motivos de uma tal resolução pontifícia deram grande variedade de opiniões nos diferentes autores, pelo que, com certeza, se não podem indicar precisamente. Sendo geral a extinção da ordem do Templo, não o foram as culpas dos cavaleiros, porque os de Portugal, como os de Castela e do Aragão, justificaram com evidentes provas a pureza dos seus procedimentos, e foram julgados livres dos delitos, que se atribuíram aos de França, onde se dizia que eram comuns a toda a ordem, cujas rendas se incorporaram na coroa do mesmo reino, o que é tido como claro indicio de que Filipe, o Formoso, excitara ao pontífice com falsas informações e indignas violências, a extinguir aquela ordem. Em Portugal, como em Espanha, procedeu-se com um nobre desinteresse e uma generosa cristandade. D. Diniz, que então reinava, podendo acrescentar o património real com as propriedades dos Templários, quis antes fundar com elas outra ordem. Constitui este facto, além disso, una hábil resolução do soberano, que diplomaticamente soube conservar as riquezas duma ordem extinta, para as passar a outra. Alguns autores afirmam que a cúria romana queria, com fúteis pretextos, apoderar-se das enormes rendas dos templários em Portugal (como o fizera noutros reinos) mas D. Diniz, política e patrioticamente, lhas subtraiu, criando em 14 de Agosto de 1318 a ordem de Cristo e dando-lhe esses rendimentos. Com a sua autoridade o sumo pontífice João XXII expediu então a sua bula de 14 de Março de 1319, confirmando aquela instituição. Além dos bens que ficaram dos templários, doou também o rei à nova milícia a vila e fortaleza de Castro Marim no reino do Algarve, dispondo que nela se estabelecesse o convento da ordem, donde, assim por mar como por terra, podia fazer guerra aos moiros de Marrocos e Granada, que inquietavam os nossos mares, e persistiam na teima de invadir e conquistar de novo toda a Espanha. O primeiro mestre que teve a ordem foi D. Gil Martins, que o era então da cavalaria de Avis, e vinha nomeado pelo papa, querendo que entrasse logo na de Cristo mestre que houvesse militado debaixo da regra de S. Bento e reformação de Cister, para instrução dos novos professores, sujeitando-a outrossim à visitação dos abades de Alcobaça, de que só foi isenta por outra bula de Paulo 111, expedida em 1542, no reinado de D. João III. Fez o mestre D. Gil as primeiras Constituições da ordem em 1321; cinco anos depois fez outras o segundo mestre D. João Lourenço, e assim foram continuando seus sucessores, aditando e inovando as coisas conforme o tempo requeria, todas as quais confirmava o abade de Alcobaça, como visitador e reformador desta religião, até que cm 1443, sendo governador da ordem o infante D. Henrique, o primeiro e principal ampliador dela, se procedeu à sua reformação por breve que impetrou do papa Eugénio IV. Aos estatutos que então se fizeram para observância da ordem, e modo de vida dos cavaleiros, acrescentou depois el-rei D. Manuel outras definições, por onde a mesma lhe ficou devendo a legislação e direcção religiosa com que se governava. Corria o ano de 1356 quando o mestre D. Estêvão Gonçalves Leitão, quarto cru ordem dos desta cavalaria, fez a mudança do convento de Castro Marim para Tomar, vendo que aquela vila era de pouca povoação, e que a ordem não tinha cabedal para a povoar e fortalecer como convinha. As razões mais congruentes e verosímeis que a isso o moveram foram sem duvida o ter sido Tomar convento e cabeça da ordem do Templo, estar esta vila situada no coração do reino, donde podiam os mestres acudir a tudo o que tocava à ordem; assim como pela disposição do sítio e capacidade do edifício, em que se podia acomodar tudo quanto convinha a uma religião de tanta estimação e valia. Deste tempo em diante ficou sendo Tomar cabeça da ordem militar de Cristo. Contando do primeiro mestre D. Gil Martins até D. Lopo Dias de Sousa, sobrinho da rainha D. Leonor, teve a ordem sete, que foram em rigor mestres e cavaleiros estreitamente professos desta religião. A este ultimo sucedeu o infante D. Henrique, duque de Viseu, que foi o primeiro que administrou a ordem com o titulo de governador e administrador dela, não querendo fazer profissão com o voto de pobreza por não perder o ducado e mais senhorios que lograva. Com o mesmo título de governador lhe sucedeu seu sobrinho o infante D. Fernando, irmão de el-rei D. Afonso V, e a ele seus três filhos D. João, D. Diogo e D. Manuel, o qual conservou o governo da ordem em todo o tempo do seu reinado. Por sua morte a administrou el-rei D. João II por bula do papa Adriano VI, até que por outra de Júlio III, expedida em 4 de Janeiro de 1551, lhe foi conferida, e a todos os seus sucessores na coroa, ainda que fêmeas, a administração perpetua dos mestrados das ordens militares do reino O hábito dos cavaleiros da ordem militar de Nosso Senhor Jesus Cristo é uma cruz vermelha, quase quadrada, fendida no meio com outra branca dado que a alguns autores pareça que esta insígnia fosse a mesma que a do Templo, notoriamente é diferente, porque a dos Templários era toda vermelha, e a de Cristo consta daquelas duas cores; nem é crível que o papa lhe permitisse a insígnia da cavalaria que o seu antecessor extinguira, ordenando que de todo se perdesse a memória dela. Não só teve a ordem de Cristo um considerável património dentro do reino, senão que se estendia a sua jurisdição a todas as conquistas de Portugal, de que foi devedora ao imortal infante D. Henrique, o qual depois que se recolheu da conquista de Ceuta, em que teve grande parte, concebeu logo em seu ânimo pensamentos de descobrir e ganhar novas terras, sendo as ilhas de Porto Santo e Madeira as primícias de tão laboriosos cuidados. Por falecimento de D. João I, seu filho e sucessor D. Duarte, respeitando os dispêndios grandes que o infante seu irmão havia feito no descobrimento, povoação e culto destas ilhas, lhas doou por tempo de sua vida, concedendo à ordem de Cristo a perpetua jurisdição espiritual delas. Nos mais descobrimentos e conquistas, que se principiaram debaixo do estandarte da ordem, e com os cabedais do infante D. Henrique, reconheceu o reino o que devia a esta cavalaria; e assim com muita razão todas as armadas que saíam para as nossas possessões ultramarinas levavam os estandartes das armas reais assentes sobre a cruz da ordem de Cristo, reconhecendo que a ela era devida aquela herança, por onde a capitania da Índia não só em seus próprios mares, mas nos de Portugal, tinha preferência ás capitanias reais, não obstante que o cargo de general da armada real de Portugal era preeminente ao de capitão-mor da Índia. Os reis, como tinham esta milícia por sua, a honraram e enriqueceram mais que a nenhuma das outras, dando-lhe 21 vilas e lugares e 454 comendas, em que entravam 45 que se proviam pela Casa de Bragança. Quanto ás dignidades da ordem, a primeira e principal, depois do mestre, era o prior-mor, que tinha jurisdição no espiritual e temporal do convento, exercitando o poder espiritual não só com os clérigos residentes na casa mas com os cavaleiros que viviam separados dela. Ao Dom prior do convento de Tomar pertencia chamar por cartas a capítulo geral para nova eleição de mestre, a quem tomava o juramento de fidelidade e obediência ao papa. A segunda era o commendador-mor, que presidia na ausência do prior, e por falecimento do mestre, no interim da vacante, lhe pertencia governar a ordem. Seguia-se o claveiro, cujo ofício era ter as chaves do convento quando os cavaleiros viviam em comunidade, e ao qual competia distribuir o mantimento É tomar conta dos gastos que se faziam. A quarta dignidade era o sacristão-mor, a quem pertencia em capitulo ter os selos da ordem. A quinta e última dignidade era o alferes, que levava a bandeira nas procissões e em todos os actos de guerra em que ia o mestre. D. Maria I, reformando as três ordens militares por sua carta de lei de 19 de Junho de 1789, estabeleceu entre outras disposições as seguintes: Depois do grão-mestre e do comendador-mor as dignidades serão gradualmente os grã-cruzes, os comendadores e os cavaleiros. Nenhum será grã-cruz sem ser comendador promovido a grã-cruz. Pela mesma lei foram as insígnias de grã-cruz e comendador de cada uma das três ordens militares aumentadas com um coração, em memória do monumento ao Santíssimo Coração de Jesus que a mesma soberana pretendia estabelecer. Os cavaleiros teriam a sua venera como mandavam os antigos estatutos da ordem. Os actuais distintivos da ordem são na forma indicada nas gravuras respectivas, sendo a cruz vermelha aberta em branco, e a fita encarnada.
Fonte: Portugal Dicionário Histórico

Mistico: Origem dos Mistérios



Perde-se, na noite dos tempos, a existência da Doutrina Esotérica. Conheciam-na todos os grandes povos da antiguidade, tanto na Ásia como na África, Europa, América e Oceania, segundo demonstra a universalidade de seus símbolos, gravados em caracteres indeléveis, nos respectivos templos. E quem houver penetrado nas profundezas dessa Ciência, lerá sempre as mesmas verdades, tanto nos muros de Palenque, como nos de Luxor; nos pagodes lavrados na entranha das rochas, na Índia, como nos restos ciclópicos de toda a região mediterrânea, e nos colossos da existência de raças e continentes submersos.
Os brâmanes da Índia, do mesmo modo que os Ioguis do mesmo País; os hierofantes do Egito, os profetas de Israel, os essênios cabalistas, os gnósticos, os druidas, os cristãos, como ainda, todos os filósofos e pensadores, possuíram Doutrinas Esotéricas, ou melhor, a mesma Sabedoria Infinita das Idades.
O Livro dos Mortos do antigo Egito contém a Doutrina Esotérica do Egito; a Filosofia Yoga, o Esoterismo da Índia; a Cabala, a dos hebreus. E assim por diante.
Pela tradição, tem Ela vindo até os nossos dias, embora com certas lacunas e erros, devido a falsas interpretações, pois, como já dizia o mesmo Jesus, "é por baixo da letra que mata, que deve ser descoberto o Espírito que vivifica".
Os ensinamentos da Doutrina Arcaica, por sua vez, dizia Blavatsky, tem uma origem divina, que se perde na noite dos tempos. E "origem divina" não quer dizer uma revelação feita por um Deus antropomorfo, em cima de uma montanha, cercado de raios e trovões, mas segundo o compreendemos, uma linguagem e sistema de ciência comunicado à Humanidade primitiva, por outra tão adiantada, que parecia divina aos olhos daquela.
Diz-se que, no começo, não havia necessidade de Mistérios Iniciáticos. O conhecimento (Vidya) era propriedade de todos, e predominou universalmente durante a Idade de Ouro ou Satya-Yuga. Segundo o comentário, "os homens não haviam ainda praticado o mal, naqueles dias de felicidade e pureza, por serem justamente de natureza mais divina do que terrena.
Porém, ao se multiplicarem rapidamente, múltiplas foram também as idiosincrasias do corpo e da mente. E o espírito encarnado manifestou-se em debilidade. Nas mentes menos cultivadas e sãs, enraizaram-se certos exageros contrários à natureza e consequentes superstições. Dos desejos e paixões, até então desconhecidos, nasceu o egoísmo, pelo qual abusaram os homens de seu poder e sabedoria, até que, finalmente, foi preciso limitar o número dos conhecedores". Assim, teve lugar a Iniciação e seus Mistérios.
Cada povo adoptou um sistema religioso de acordo com a sua capacidade intelectual e necessidades espirituais. Porém, como os sábios prescindissem do culto e das simples formas, restringiram a bem poucos o verdadeiro conhecimento ("Muitos serão chamados e poucos os escolhidos"...).
A necessidade de encobrir a Verdade (donde o termo "Ísis velada"), para resguardá-la de possíveis profanações, fez-se sentir, cada vez mais em cada geração, e assim se converteu em Mistério.
Foi Ele, então, adotado entre todos os povos e países, procurando-se, ao mesmo tempo, evitar discussão a respeito, permitindo, entretanto, que nas massas profanas (os "impúberes-psíquicos") fossem introduzidas crenças religiosas esotéricas inofensivas, adaptadas, no começo, às inteligências vulgares - como "róseos contos infantis" - sem receio de que a fé popular prejudicasse as filosóficas e transcendentais verdades, ensinadas nos Santuários Iniciáticos, mesmo porque não devem cair no domínio público ("Margaritas ante porcus" ou "Não atireis pérolas aos porcos") as observações lógicas e científicas dos fenômenos naturais (tidos como milagres pelos ignorantes), conduzem o homem ao conhecimento das Eternas Verdades, destinadas a aproximá-lo dos umbrais da observação, livre de prejuízos, mais capaz, por isso mesmo, de melhor distinguir as coisas, não com os olhos físicos, mas sim, com os espirituais.
O grande místico hindu Sri Aurobindo teve ocasião de dizer em seu maravilhoso livro APERÇU ET PENSÉES, o seguinte:
"Cada religião ajudou a Humanidade. O paganismo aumentou no homem a luz da beleza, a largura e a altura da vida, a tendência para uma perfeição multiforme.

O Cristianismo deu-lhe uma visão de Caridade e Amor Divinos. O Budismo mostrou-lhe um nobre meio de ser mais SÁBIO, mais doce, mais puro. O Judaísmo e o Islamismo, como ser religiosamente fiel em ação, e zeloso na sua devoção por Deus. O Hinduísmo abriu-lhe as mais vastas e as mais profundas possibilidades espirituais.

Seria uma grande coisa se todas essas visões de Deus pudessem se abraçar (a Frente Única Espiritualista, pela qual vem batalhando a SOCIEDADE BRASILEIRA de EUBIOSE desde o seu início) e se fundir uma na outra; porém, o dogma intelectual e o egoísmo cultural barram o caminho.
Sim, todas as religiões salvaram um grande número de almas, mas nenhuma foi ainda capaz de espiritualizar a Humanidade. Para isso, não é o culto e a crença o necessário, englobando tudo que seja de desenvolvimento espiritual próprio".
Blavatsky, por sua vez, corroborou as nossas palavras: "O Teósofo não crê em milagres divinos nem diabólicos, nem bruxos, nem profetas, nem augúrios, mas, tão somente em Adeptos (Iniciados) capazes de realizar fatos de caráter fenomênico a quem julgar "por palavras ou actos" (isto é, aos que se fizerem dignos de tamanha honra...).

E é a razão porque, para os não iniciados nos referidos Mistérios, tais fenômenos não são mais do que "extravagâncias e fantasias". Mas, em verdade, "fatos estranhos" para os que com eles jamais se preocuparam. Não se deve, pois, negar, seja o que for, sem conhecimento de causa... Ou melhor, sem investigação própria.

São, ainda, de Blavatsky, as seguintes palavras:
"O estudante de Ocultismo (ou Teosofia) não deve professar religião alguma, embora deva respeitar qualquer opinião ou crença para chegar a ser um Adepto".

Seu único dogma, como "livre pensador" é o da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de crença, sexo, casta, cor, etc. Seu único e Supremo Mestre, o Eu-Interno ou Divino, o Espírito, cuja voz é da Consciência emancipada.
Quanto à Ciência oficial, tudo quanto julga como seu - do mesmo modo que as religiões, filosofias, línguas, seja o que for - já pertenceu à Teosofia (ou Ocultismo). Mas, infelizmente - como foi dito em outros lugares - se acha completamente adulterado. Desse modo, a Teosofia começa onde a Ciência oficial termina.
E é assim que a astronomia de hoje é a Astrologia de outrora; a Química, a Alquimia; a Medicina, a Magia Teúrgica, etc., etc.
Em resumo: se no grego tal Sabedoria tem o nome de TEOSOFIA, no sânscrito possui ela outros muitos; chama-se Sanatama-Dhârma, Gupta-Vidya, Brahmâ-Vidya, respectivamente Sabedoria da Lei, Ciência Secreta, Sabedoria Divina, ou ainda, Iluminação, Conhecimento, etc.
O mesmo termo Gnose não quer dizer outra coisa senão Iluminação, Conhecimento Perfeito, donde, Gnósticos, Iluminados, Sábios, etc.
Teósofos ou Néo-platônicos, ecléticos ou harmonistas, eram chamados os filósofos alexandrinos que, com Amônio Sacas, quiseram deduzir da Gnose, o estudo comparado das religiões, normas científicas de conduta.
O mesmo Amônio Sacas não conseguiu religião alguma concreta, e seus sucessores, embora de campos opostos, como Porfírio (o mosaísmo), Jâmblico (a Teurgia egípcia), Proclo (o ocidentalismo), Plotino (Gnose cristã), etc., foram chamados "filaléteos" ou "amantes da Verdade" sem véu religioso.
"Ecléticos ou sincretistas" por seu espírito de crítica; "harmonistas", por buscarem a Suprema Síntese filosófica; "analogistas", por aplicarem a chave hermética de que "o que está em baixo é como o que está em cima"; e Teósofos, enfim, por buscarem para o homem vulgar, a Suprema Ciência da SUPERAÇÃO, que há de fazer dele um rebelde, um Titã, um Prometeu, um Herói, um super-homem, enfim, como diria o vulgo mas em verdade, um Iluminado.
Os termos Buda e Cristo não pertencem a nenhum indivíduo, mas representam categorias a que podem chegar os homens, porquanto, Buda provém do Bodi sânscrito que quer dizer Sábio, Iluminado, etc.
Do mesmo modo que Bod tibetano, com o mesmíssimo significado, como prova ao Tibet se lhe chamar Bod-Yul, ou "País do Conhecimento, da Sabedoria Perfeita", etc. Quanto ao termo Cristo, provém do Krestus grego, que quer dizer: Ungido, Iluminado.
Só o desconhecimento dessa mesma Sabedoria Eterna pode levar os prosélitos das várias religiões existentes, a se degladiarem mútua e estupidamente como se todas elas não fossem "pálidos raios seus". Ou como disse o grande Teósofo espanhol, Mario Roso de Luna, "embaceados espelhos onde a mesma (Sabedoria Eterna) se reflete".
Amônio Sacas foi um grande e eminente filósofo, que viveu em Alexandria, entre o segundo e terceiro séculos de nossa era. Foi o fundador da "Escola Neoplatônica" dos Filaléteos ou "Amantes da Verdade", como foi dito anteriormente. Nasceu de pais cristãos e era pobre.
Possuía, entretanto, uma bondade tão grande, que o cognominaram, desde logo, "Theodactus" ou "ensinado (guiado) por Deus", etc. Venerou a tudo quanto de bom existia no Cristianismo, porém, rompeu com o mesmo e com suas Igrejas, ainda jovem, por não ter encontrado, em seu seio, coisa alguma superior às antigas religiões, mas apenas, cópias e adulterações suas. Seus Mestres foram: Pitágoras e Platão.
Ensinou ele que "a religião das multidões correu sempre pari-passu com a filosofia, e que com esta se foi corrompendo gradualmente, por vícios de conceitos, mentiras e superstições, puramente humanos.
Era necessário, portanto, restituí-la à sua original pureza, por isso mesmo, expurgando-a da escória e interpretando-a filosoficamente, pois o propósito de Jesus foi restabelecer a sua prístina integridade, a Sabedoria da Antiguidade; reduzir o domínio da superstição que prevalecia no mundo, corrigir os erros introduzidos nas diversas religiões e quanto pudesse servir de obstáculo à rápida evolução do homem, na sua marcha para o divino".
Pelo que se vê, era um verdadeiro Teósofo sem deixar por isso, de ser um cristão, budista, etc.
Blavatsky, por sua vez, ensinou "que o Teósofo não deve sujeitar-se às opiniões alheias, formando ele as suas próprias convicções, de acordo com as regras de evidência, que lhe proporciona a ciência a que se dedica, sem atender a encômios de fanáticos sonhadores, nem a dogmatismos teológicos, Jesus pregou uma doutrina secreta e ”secretos“(tanto naquele tempo como hoje) quer dizer, “Mistérios da Iniciação".
Voltaire caracterizou, em poucas palavras, os benefícios dos Mistérios, ao dizer que, "entre o caos das superstições populares, existia uma Intuição que evitou sempre a queda do homem na mais degradante animalidade: a dos ”MISTÉRIOS“.
E justamente por ser "Mistério", é que não pode chegar ao domínio de todos, mas de uma elite (ou de "eleitos", na razão, repetimos, de "muitos serão chamados e poucos os escolhidos") capaz de conduzir a maioria pelo Caminho do Dever, da Honra, do Amor e da Justiça, até que não seja mais necessária a referida seleção, isto é, quando a Humanidade inteira (utopia para os pessimistas de todas as épocas) estiver equilibrada por tão elevados princípios que, a bem dizer, representam os "eubióticos princípios", com que a mesma Humanidade, queira ou não, terá que se regular, sob pena de continuar por muitos séculos ainda, sacudida pelos terríveis vendavais que há tanto tempo servem de obstáculo à sua marcha evolucional para o Divino.
E cujos "vendavais" estão muito bem simbolizados nos Quatro Cavaleiros do Apocalipse: DOMÍNIO, GUERRA, FOME E PESTE.

Mistico: Os Quatro Cavaleiros do Apócalipse



DOMÍNIO, GUERRA, PESTE E FOME! Eis aí os quatro Cavaleiros do Apocalipse. Ninguém os arruma desta maneira, porque nem todos sabem o que eles verdadeiramente representam. Ouçamos, pois, os QUATRO:

DOMÍNIO - Em mim reside o desejo insopitável de dominar a tudo e a todos. E o veneno sutil que destilo por toda à parte, reside também em todas as criaturas. Somente os que alcançaram o último degrau da evolução humana, de mim ficaram isentos. E assim, procuram salvar os demais, quase sempre, inutilmente...
Sim, querem as nações mais potentes dominar as mais fracas. E tudo fazem para invadir o seu território e dele tomar posse. Para isso, empregam todos os recursos... O mesmo fazem os homens vulgares que, de passagem seja dito, representam a grande maioria, raramente entre eles há um que seja amigo do outro, quando o é, é para dominar, vencer, esmagar essa amizade, que logo morre por falta de alento! Sim, para DOMINAR, para vencer... Lançam mão de todos os meios.
Para eles, a calúnia, a difamação, a injúria, a destruição do lar... é nada, é coisa alguma. Vendo em todos o seu próprio reflexo embaciando um pobre espelho, dizem de todos, do seu maior amigo, aquilo que lhes pertence. E já de há muito esqueceram a invectiva de Cristo, ao dizer àqueles que queriam apedrejar a mulher faltosa:

"Aquele que estiver isento deste pecado, que lhe atire a primeira pedra".

Ao contrário, antes que sejam por outros iguais a eles, apedrejados, lançam mão de quantas pedras encontram na sua própria montanha. A montanha construída com as pedras de seu caráter deformado!
Sim, "de ti Jerusalém, não restará pedra sobre pedra!”.
E assim, o domínio dos césares modernos, o domínio dos próprios homens - uns sobre os outros, vai caindo, vai desaparecendo, a fim de que outro Edifício se construa, com as PEDRAS DO NOVO CICLO!

GUERRA - Como irmãos que somos, nascidos do quaternário da Terra, a bem dizer, não temos pais. Cada um de nós o outro completa...
Sim, do DOMÍNIO nasce a GUERRA. E dos dois, PESTE E FOME. Quem ousaria negar semelhante verdade neste "Fim de ciclo apodrecido e gasto?" O mundo é um vulcão que ameaça explodir, fazer tudo voar em estilhaços! As erupções, as lavas, as cinzas que anunciam semelhante fenomeno, de há muito se fazem sentir nas dores, nas angústias dos homens! Nem por isso, eles procuram recuar o passo.
Como disse meu irmão DOMÍNIO, para vencer nessa hora em que não mais vencedores existem... eles lançam mão de todos os meios! Sim, novamente se diz, "para eles a calúnia, a difamação, a injúria, a destruição de um lar, é nada, é coisa alguma. Nem sequer se apercebem de que, com isso, destruindo estão seus próprios lares".
Os tempos mudaram. Ninguém mais se compreende, ninguém mais pode afiançar o que está marcado para o dia seguinte. Tudo é incerteza, abandono, receio, medo... Um pouco mais, e o pavor se apoderará de todas as criaturas... Que fazem as religiões para debelar o mal que cada vez mais se propaga no mundo? Elas não se toleram, odeiam-se como os próprios homens, pois que são as primeiras a dar o exemplo. Desse modo, "benzem os exércitos, as armas, fratricidas", empunhando a velha bandeira do Cristo, cujo lema redentor, continua sendo:

"Amai-vos uns aos outros".
O termo psicopatia tornou-se erroneo, porque tem a necessidade de se apontar uma série infindável de nomes. Hoje, um só basta: a degenerescência psíquica e fisiológica dos homens! E isto, porque o Espírito, como Divina Essência fugiu da maioria, em busca da sua própria Origem. Restavam apenas, o corpo e a alma ou a própria vida definhada que aos homens anima. Já houve alguém que, com muita propriedade, teve ocasião de dizer:

"A cada passo nos acotovelamos pelas ruas das cidades, com seres não mais possuidores da menor parcela divina. Eles vivem, apenas, dos seus próprios atos e pensamentos, pois que de serem maus ou simplesmente terrenos, basta isso para sofrerem e aos demais o mesmo fazerem..."
São os tais que ao próprio Cristo fazia dizer:

"Nolli me tangere". "Não me toques".

Sim, para não fazeres o grande mal de prejudicar a Essência Divina que "em Mim se manifesta". E a prova é que, chamou de "leproso" (leproso moral) a alguém que acabava de abandonar a rocha onde estivera sentado, proibindo a um dos seus apóstolos que, naquele mesmo lugar tomasse assento. E era Ele o AMOROSO, o Redentor do ciclo de PISCIS, que agora se finda, para que venha o de AQUARIUS. Razão porque desenhou no solo um peixe, quando lhe apresentaram "a mulher faltosa".
Sim, quem falasse em GUERRA, o que diria Ele? Respondam os que perseguem os outros, os que provocam guerras, os que a tudo e a todos odeiam, porque somente o ÓDIO é a argamassa de um ciclo agonizante, de que eles mesmos se revestem.
Tudo é mentira, falsidade, erro, crime... Para semelhantes pessoas. Sim, aquela mesma "argamassa", para não dizer, o lastro fatal de um "ciclo apodrecido e gasto".
Eu sou a GUERRA. E só os que a morte venceram me podem compreender, e até fazer desaparecer da Terra...
- Fonte: http://www.misteriosantigos.com/

Esoterico: Pistis Sophia



Os escritos gnósticos mais conhecidos actualmente foram originalmente grafados em copta ou grego. O mais importante deles é Pistis Sophia, uma obra que expõe, em forma de diálogo entre Jesus e seus discípulos, a queda e a redenção de Sophia, vindo a constituir-se na verdadeira essência do cristianismo original mais puro e autêntico, ensinado nada menos que pelo próprio Cristo Jesus.
Sophia alegoriza um Ser nascido ou pertencente ao mundo dos Eons (palavra essa que quer dizer, mesmo correndo o risco de sermos mal compreendidos, "Espíritos Estelares emanados do Desconhecido, seres semelhantes aos Dhyan-Choans hindus" (os Senhores da Luz, segundo a doutrina secreta dos orientais ou a nossa própria divindade interior mais profunda e desconhecida).
Pistis Sophia - o livro - foi publicado pela primeira vez em 1851, na França. Depois, houve uma versão para o inglês, feita por G.R.S. Mead. Mas, qualquer que seja a edição de Pistis Sophia, moderna ou antiga, trata-se de uma obra incompreensível para os não-iniciados. Mesmo a edição comentada do Mestre Samael Aun Weor, que desvela os dois primeiros dos seis volumes de Pistis Sophia, é bastante complexa, não só pelo vocabulário como pelas próprias verdades da Alta Iniciação ali contidas.
Infelizmente, por preconceito ou ignorância, os maiores tesouros do gnosticismo antigo continuam incompreendidos. Mestres e estudiosos, como Samael Aun Weor, H. P. Blavatsky e Karl Jung foram alguns poucos que se atreveram a enveredar pelos caminhos do gnosticismo histórico e de lá retornar com compreensão e entendimento suficientes para explicar algo de seus augustos e reservados mistérios.
Foi principalmente depois da descoberta dos textos de Nag Hammadi que a palavra gnose vem sendo utilizada de forma frequente, até mesmo com outros sentidos e finalidades que pouco tem a haver com a gnose em si. Na esteira dessa descoberta muitas obras de pesquisa apareceram, principalmente nos EUA e na Europa. No Brasil já foram editados os livros de Elaine Pagels ( Os Evangelhos Gnósticos ) e de Joan O’Grady ( Heresia - o jogo de poder das seitas cristãs nos primeiros séculos depois de Cristo ).
A gnose e o gnosticismo tem servido ainda de fonte de inspiração para o cinema internacional, como bem atestar MATRIX - cujo roteiro foi elaborado a partir de pesquisas em fontes gnósticas, dentre outras [ver matéria especial neste portal].

Religião: Manuscritos de Nag Hammadi



A origem dos Livros Apócrifos nos remete ao ano 367 d.C. Por ordem do Bispo Atanásio de Alexandria, que seguia a resolução do Concílio de Nicéia ocorrido em 325 d.C, foram destruídos inúmeros manuscritos dos primórdios do Cristianismo. Esses documentos eram supostamente fantasiosos e deturpavam as bases da doutrina Católica que se estabelecia naquele momento. Porém, cientes da importância histórica destes papiros originais, os Monges estabelecidos à margem do rio Nilo, optaram por não destruí-los. Ao contrário enterraram na base de um penhasco chamado Djebel El-Tarif. Ali ficaram esquecidos e protegidos por mais de 1500 anos…

Em 367 d.c. Por ordem do Bispo Atanásio de Alexandria, foram destruídos inúmeros documentos com tendências heréticas. O bispo seguia uma resolução do Concílio de Bispos de Nicéia, reunida em 325 d.c. Esta ordem era para a destruição dos textos GNÓSTICOS em especial . Porém sabendo da importância destes papiros originais do princípio do Cristianismo, Monges estabelecidos a margem do rio Nilo, optaram por não destruí-los. Esses Monges guardaram os códices de papiros dentro de uma urna de argila e as enterraram-na na base de um penhasco chamado: DJEBEL EL-TARIF.
Em 1945, o camponês Muhamad Ali as-Salmman, encontrou um grande pote vermelho de cerâmica, contendo treze livros de papiro encadernados em couro. No total descobriram cinquenta e dois textos naquele sítio. Decepcionados, levaram para casa, e sua mãe chegou a usar alguns papiros para acender o fogo.
Na primeira análise, a primeira linha traduzida do copta foi:
“Essas são as palavras secretas que Jesus, O Vivo, proferiu, e que seu gêmeo, Judas Tomé, anotou”.
Em 1952, O museu Copta do Cairo, recebeu para sua guarda os manuscritos. Faltava algumas páginas e um códice fora vendido pela família de Mohammed para o Instituto Jung, Zurique. Esses códices passaram a ser chamados; BÍBLIA de NAG HAMMADI, localidade onde fora encontrado os manuscritos.
Antes desta descobertas, só se conhecia os textos Gnósticos pelas citações de outros autores. Dos 53 textos encontrados, 40 eram inéditos, tolamente desconhecidos da comunidade cientifica. Estes Manuscritos foram redigidos em Copta , antiga língua egípcia, que utilizava caracteres gregos.
Os manuscritos, hoje conhecidos como Evangelhos Gnósticos, ou Apócrifos (Apocryphom literalmente livro secreto), revelam ensinamentos, apresentados segundo perpectivas bastante diversas daquelas dos Evagelhos Oficiais da Igreja Romana; como por exemplo este trecho atribuído a Jesus, O Vivo:
“Se manifestarem aquilo que têm em si, isso que manifestarem os salvará. Se não manisfestarem o que têm em si, isso que não manifestarem os destruirá.”
Além dos Evangelhos (ensinamentos atribuídos a Jeus Cristo através de seus apóstolos) outros textos compõem o legado de Nag Hammadi, de cunho teológico e filosófico.
Os papiros encontrados em Nag Hammadi, tinham cerca de 1.500 anos, e eram traduções em copta de manuscritos ainda mais antigos feitos em grego e na língua do Novo Testamento, como constatou-se, ao verificar que parte destes manuscritos tinham sido encontrados em outros locais, como por exemplo alguns fragmentos do chamado Evangelho de Tomé. As datas dos textos originais estão estimadas entre os anos 50 e 180, pois em 180, Irineu o bispo ortodoxo de Lyon, declarou que os hereges:
“dizem possuir mais evangelhos do que os que realmente existem”.
Existe hoje a BIBLIA de NAG HAMMADI, que Compõe-se de:
* Revelações de profetas Gnoses, anteriores a Jesus;
* Escritos Gnósticos, com textos Cristãos;
*Tratados Herméticos - relativos a Alquimia consagrado ao deus egípcio Toth (Deus Hermes para os Gregos)
Acredita-se que os manuscritos foram enterrados por volta do século IV, quando na época da conversão do imperador Constantino, os bispos cristãos, passaram ao poder e desencadearam uma campanha contra as heresias. Então, algum monge do mosteiro de São Pacômio, nas cercanias de Nag Hammadi, tomou os livros proibidos e os escondeu no pote de barro, onde permaneceram enterrados por 1.600 anos !

Religião: Evangelho de João. Escrito quando?



Estudiosos tem considerado a muito tempo que o Evangelho de João tenha sido um dos últimos textos a ser escritos no Novo Testamento. A razão para tal conclusão é que o Evangelho de João foi escrito depois das cartas de Paulo, os Evangelhos Sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) e muitas das últimas cartas são baseadas em uma variedade de evidências que quando consideradas coletivamente sugerem uma data de composição por volta de 90 D.C.

Talvez a suposição mais básica relativa a data da composição do Evangelho de João é a sua teologia em comparação aos outros evangelhos. Especificamente, o quarto evangelho enfatiza a divindade de Jesus e seu papel pré-mortal como deidade (João 1:1, 14). Jesus também parece ser onisciente em vários episódios, tais como na história da mulher no poço em Samaria, quando Jesus sabe detalhes íntimos sobre o estado civil da mulher sem que ninguém lhe diga nada (João 4:16-18). Jesus também declara que ele é um Deus no Evangelho de João (João 8:58) e se associa a Jeová do Velho Testamento. Outras histórias apresentam um retrato muito exaltado de Jesus em comparação ao Evangelho de Marcos, por exemplo, onde Jesus parece estar bravo (Marcos 3:5) ou onde ele parecia estar “fora de si” (Marcos 3:21). Se a teologia e crença em Jesus se desenvolveram de um entendimento mais primitivo para uma crença mais exaltada em Jesus como os estudiosos sugerem, o Evangelho de João é o produto final deste desenvolvimento enquanto o Evangelho de Marcos é o começo.

Um segundo fator importante na discussão é que os evangelhos Sinópticos são claros em uma conversação entre eles e eles têm em comum aproximadamente 90% de seu material, enquanto o Evangelho de João pode ser considerado, com frequência, como um comentário sobre essa prévia conversação. Um exemplo deste fato pode ser encontrado nos registros do Monte da Transfiguração, o qual o Evangelho de João omite, porque a história já havia sido registrada nos três primeiros evangelhos. Muitas das omissões de João podem ser interpretadas desta maneira, ainda que a lógica é claramente circular.

Uma outra consideração importante é que o Evangelho de João pode estar tentando conter certo grupos dissidentes de Cristãos, às vezes designados como Docetistas, por causa de sua crença que Jesus não era, de fato, mortal, mas eles pregam que Jesus somente parecia mortal a nossos olhos. João pode ter tentado suprimir esses clamores incluindo histórias de Jesus comendo peixe (João 21:12-15) e que ele era de carne e habitava entre nós (João 1:14). O movimento Docético é datado, por estudiosos, das últimas décadas do primeiro século e então adentrando o segundo século, o que colocaria o tempo de escrita do Evangelho de João contemporâneo com o surgimento do Docetismo.

Todas essas considerações, incluindo muitas outras, são certamente pronunciamentos subjetivos que não podem ser provados se são de fato reais ou não. As evidências físicas do Evangelho de João são igualmente sem conclusão, portanto nossa única saída é considerar as evidências literárias sobreviventes. Enquanto o modelo erudito de desenvolvimento teológico continuar a segurar o balanço, o Evangelho de João continuará sendo considerado um documento do final do primeiro século que capturou uma das declarações finais teológicas da Igreja do primeiro século. A precaução dos estudiosos determina, entretanto, que a ultima data provável do Evangelho de João permanece uma tentativa de conclusão que é resultado de uma teoria da origem dos Cristãos ao invés de uma teoria literária compreensiva usada para explicar o Evangelho de João em si.

Medieval: Cataros no Sul de França



A maior parte das terras atingidas pela heresia pertencia á província de Narbona, somente a região de Albi estava ligada a província de Bourges. O Languedoc é anexado a França em 1229 pelo Tratado de Meaux.
O êxito da propagação da heresia nos bispados do Languedoc, pode ser explicado pela situação política da região, independente do reino da França, as altas autoridades eram os grandes senhores feudais, o conde de Toulouse e o visconde de Béziers, ambos simpatizantes da heresia cátara.
O arcebispo Berengário de Narbona, da família real de Aragão, descuidará dos assuntos espirituais em favor de questões políticas. A justiça só era executada mediante pagamento e o clero permitia que os padres trabalhassem ou casassem.
Isto propiciou a difusão do catarismo, que clamava pela castidade absoluta, repelindo a autoridade papal, a culto às imagens e ao sacramento. Censuravam os poderes públicos e o direito de julgar e ordenar. Possuíam um ideal de Igreja Santa, com um sacerdócio purificado, vivendo em pobreza evangélica.
O movimento cátaro foi desencadeado pelas pregações do monge Henrique, embora este não fosse cátaro, muitos fiéis após ouvir suas palavras deixaram de pagar os dízimos e de comparecer as igrejas, seus ensinamentos foram combatidos por Bernardo de Clairvaux (São Bernardo). Henrique foi preso, porém , as maiores ameaças a Igreja se situavam em outras esferas. Os maiores aliados dos heréticos pareciam ser os cavaleiros, que os protegiam contra os ataques, da mesma forma agiam a maioria das casas nobres da região. A transmissão da heresia fazia-se de uma domus (casa) a outra, através da palavra falada. A palavra escrita era o meio mais elitista portanto de alcance reduzido.
Esta heresia foi extirpada com dificuldade, devido as relações de poder. As estruturas sociais e a cultura laica aceitavam as doutrinas propagadas pelos Perfeitos e os protegiam da repressão.

Medieval: Os Cataros


No início do século XII, a Igreja Católica presenciará a difusão da heresia dos cátaros (kataroi, puro em grego) ou albigenses (nome derivado da cidade de Albi, na qual vivia um certo números de heréticos) que se propagará no território do Languedoc, sul da França.
Os cátaros acreditavam que o homem na sua origem havia sido um ser espiritual e para adquirir consciência e liberdade, precisaria de um corpo material, sendo necessário várias reencarnações para se libertar. Eram dualistas acreditavam na existência de dois deuses, um do bem (Deus) e outro do mal (Satã), que teria criado o mundo material e mal. Não concebiam a idéia de inferno, pois no fim o deus do Bem triunfará sobre o deus do Mal e todos serão salvos. Praticavam a abstinência de certos alimentos como a carne e tudo o que proviesse da procriação. Jejuavam antes do Natal, Páscoa e Pentecostes, não prestavam juramento, base das relações feudais na sociedade medieval, nem matavam qualquer espécie animal.
Os cátaros organizaram uma Igreja e seus membros estavam divididos em Crentes, Perfeitos e Bispos. As pessoas se tornavam Perfeitos (homens bons), pelo ritual do consolament ( esta cerimonia consistia na oração do pai nosso; reposição da veste, preta no início, depois azul, substituída por um cordão no tempo da perseguição. Tocava-se a cabeça do iniciante com o Evangelho de S. João , o ritual terminava com o beijo da paz), faziam voto de castidade, cabendo-lhes a guarda, a transmissão e a vivência da fé cátara. Os Crentes participavam do ofício divino, escutando o sermão de um Perfeito, dividiam o pão entre si que não era considerado o corpo de Cristo. Os Crentes podiam abandonar a comunidade quando quisessem, frequentavam a Igreja Católica, eram casados e podiam ter filhos, contribuíam para a sobrevivência dos Perfeitos, recebiam o consolament nas vésperas de sua morte. Desta forma, eles poderiam levar uma vida agradável, obtendo o perdão e sendo salvos.
Cada Igreja Cátara tinha um bispo, o primeiro se estabeleceu no Norte da França por volta de 1149. O voto de pobreza ficou ameaçado pelo desenvolvimento de igrejas e bens materiais. Em 1167, realizou-se o Concílio de Saint-Felix de Caraman, no Languedoc, presidido pelo bispo Nicetas de Constantinopla (hierarca bogomilo), que exortou os heréticos a adotar um dualismo absoluto, organizando os bispados do Ocidente.
Durante o período das perseguições as Igrejas Cátaras foram destruídas, os ofícios religiosos eram realizados em cavernas, florestas e casas de Crentes. A doutrina cátara foi aceita por contrariar alguns dogmas cristãos, principalmente no que se refere a volta à pobreza e ao retorno do cristianismo primitivo.
Devido a propagação da heresia cátara a partir de 1140, a Igreja começa a tomar medidas para combatê-la, sendo que no início tentava converter os heréticos a fé católica por meio da pregação, não adotando medidas trágicas pois isto não harmonizava com a caridade pregada pelo cristianismo.
A Igreja Católica estabeleceu a repressão as heresias por meio de concílios, exigindo que o poder secular participasse do processo. Desta forma, através do estudo do cânone 27 do III Concílio de Latrão (1179) e do cânone 3 do IV Concílio de Latrão (1215), verificar-se-á os princípios adotados pela Igreja Católica para reprimir a doutrina cátara. Embora o conteúdo desses cânones não tenham sido inteiramente obedecidos, percebe-se a necessidade que a Igreja Católica tinha de eliminar a heresia cátara, pois esta ameaçava seu poder. A Igreja só poderia manter-se no poder com a certeza de que era a verdadeira herdeira de Cristo e de que passavam por ela os caminhos que levavam a salvação.

Misticismo: Conceitos e Tipos



O misticismo nasce do esforço do indivíduo para alcançar uma realidade absoluta ou divina que estaria em íntima conexão com as coisas. Envolve um conjunto de disposições afetivas, intelectuais e morais, cuja meta final é a comunhão com Deus.

Misticismo é a atitude espiritual que objetiva realizar a união da alma com a divindade, por diversos meios, como o ascetismo, a devoção, o amor, a contemplação etc. Forma com a teologia os dois pólos do conhecimento religioso. Se o misticismo é intuitivo, emocional, subjetivo e particular, apreendido por contato direto e incomunicável, a teologia é uma explicação analítica, de tipo racional, dos mistérios da religião. Nas religiões primitivas, em que a doutrina não constitui domínio específico, a distinção não é tão clara. Elementos místicos já estão presentes no xamanismo e na magia, que valorizam o conhecimento e o poder derivados de uma experiência singular, fora da esfera do senso comum.

Principais Tipos
O misticismo pode ser de liberação, de identidade e teísta. O primeiro é próprio do budismo e objetiva libertar o ser humano das condições inerentes à existência; o segundo, característico do hinduísmo e do neoplatonismo, tenta a identificação do indivíduo com o Todo ou o Um universais; e o teísta, presente no judaísmo, cristianismo e islamismo, busca realizar a união do indivíduo com um Deus pessoal e transcendente.
Para o misticismo teísta, o indivíduo não se dissolve nem se anula no encontro com a divindade transcendente; a união das pessoas humana e divina resulta de um dom gratuito concedido por Deus. A libertação e a identidade buscadas pelos outros dois tipos decorre de técnicas de autocontrole físico e psíquico (ioga, danças, meditação etc.). Todos três evitam as limitações da racionalidade e realizam a purificação ascética por meio de jejum, penitência, pobreza e celibato, em busca de independência em relação ao mundo material, às demandas do corpo.

Judaísmo e Islão
O misticismo judaico se manifesta nas visões dos profetas do Antigo Testamento e nas visões apocalípticas do judaísmo pós-bíblico. A cabala se desenvolveu numa direção mais próxima do ocultismo. Sua obra maior, o Zohar (Livro do esplendor), do século XIII, descreve a vida íntima de Deus e transmite conhecimentos ocultos que permitem "aderir" a ele.
O sufismo, crença e prática mística do islamismo, prega a união pessoal com Deus por meio de vários caminhos místicos, capazes de proporcionar uma avaliação da natureza do homem e de Deus e facilitar a experiência da presença do amor e da sabedoria divina no mundo.

Misticismo Cristão
Os elementos místicos do cristianismo já aparecem na teologia do apóstolo Paulo, em sua aspiração a uma relação direta com o Cristo. Essa tendência mística tomou, no cristianismo oriental (como em Orígenes e outros religiosos), a forma de comunicação com o Verbo - princípio único inteligível, organizador de todas as coisas. Alguns místicos, como são Bernardo de Claraval (1090-1153) e os religiosos do mosteiro de Saint Victor, sentiam-se como "noivas" do Redentor; outros, como são Boaventura, identificaram a própria vida com a Paixão de Cristo.
O misticismo dos dominicanos alemães medievais, sobretudo do mestre Eckhart (c.1260-1327), contém elementos teológicos e especulativos. O principal tema da mística de Eckhart é o nascimento do Cristo na alma humana, sinal da união com Deus. Segue a filosofia aristotélica tomista com influências do neoplatonismo de Plotino (século III) e do teólogo e filósofo britânico João Escoto Erígena (século IX).
Outros grandes místicos católicos foram as visionárias medievais, como a sueca santa Brígida e a italiana santa Catarina de Siena. O flamengo Jan van Ruysbroeck, cujo misticismo está relacionado ao dos dominicanos, é um dos maiores escritores holandeses medievais. Do misticismo flamengo descende a devotio moderna (devoção moderna) - religiosidade simples e piedosa das comunidades anteriores à Reforma, avessa ao intelectualismo da escolástica, e que adaptava as altas aspirações místicas à austera vida racional da nascente cultura citadina do século XIV. A devotio moderna influenciou homens tão diferentes como Erasmo de Rotterdam e Lutero. A obra que traduz seu espírito característico é a Imitatio Christi (Imitação de Cristo), atribuída a Tomás de Kempis (c.1380-1471), um dos livros mais lidos do cristianismo ocidental.
O misticismo católico combinou experiências extra-sensoriais (visões) com uma vida ativa de trabalho. Expressou-se na Espanha do século XVI em santa Teresa de Ávila, são João da Cruz e Juan de los Ángeles (1536-1609), grandes espíritos religiosos e também grandes escritores. Na França, a tendência mística foi precedida e preparada pelo humanismo cristão de são Francisco de Sales e do cardeal Pierre de Bérulle (1575-1629), fundador da ordem dos oratorianos. Os grandes místicos franceses do século XVII são Jean-Jacques Olier, da igreja de Saint Sulpice, a carmelita Marie de L'Incarnation e o abade de Saint-Cyran, da abadia de Port-Royal. No século XX houve debates dentro do catolicismo a respeito da natureza da mística: para uns, é uma graça especial concedida por Deus aos eleitos; para outros, seria o fruto natural da vida cristã.

Mística Cristã não-Católica
O protestantismo também desenvolveu várias tendências místicas, embora os iniciadores da Reforma não as tenham cultivado. Manifestam-se na filosofia de Jakob Böhme (1575-1624) e no pietismo dos séculos XVII e XVIII, como a seita dos irmãos morávios, sob a liderança de Nikolaus Ludwig Zinzendorf (século XVIII).
Nas igrejas orientais, uma das principais figuras da revivificação mística é Gregório Palamas (século XIV), para quem Deus se manifesta em pessoa no corpo do fiel. A mística bizantina difundiu-se no Oriente cristão e seus adeptos na Rússia dos séculos XVIII e XIX foram os startsy (plural de staretz) -- monges ascetas no modelo dos eremitas dos desertos do Egito, Síria e Palestina. O mais conhecido é o monge Serafim de Sarov (1759-1833). A figura do staretz foi difundida no mundo ocidental pelo livro Relato de um peregrino russo, editado a partir de manuscrito encontrado num mosteiro ortodoxo, de autor desconhecido, que conta experiências místicas ao longo de toda uma vida de ascese e busca de Deus.

Religião: Jesus e os Manuscritos do Mar Morto



Michael Baigent e Richard Leigh, autores de "A decepção do Mar Morto". Argumentam que o pacifista Jesus era muito improvável. Como os autores apontam, frases Qumraniana fluía de seus lábios, por vezes, palavra por palavra. Tradicionalmente, os estudiosos admitem que pelo menos alguns Zelotes compunham o círculo íntimo de Jesus. A própria Bíblia revela a actuação dos Zelotes, como dirigindo os cambistas do Templo. Ele diz nos Evangelhos: "Eu não só vim trazer paz, como espada". No mesmo sentido, quando um grupo de soldados romanos, vem para Ele no Getsêmani, Pedro levanta a espada contra eles, dificilmente o acto de um cristão pacifico. Revelador é o número de soldados na corte romana, seiscentos. Porquê enviar seiscentos soldados, exceto na perspectiva de uma resistência armada? E a crucificação, lembre-se, que foi o método de execução para os rebeldes, não para rabinos. Estes acontecimentos bíblicos, em conflito com a tradição cristã, não entram em conflito com o contexto de Qumran. Pelo contrário, eles se encaixam.

Rabiscos através dos Evangelhos, no entanto, e de fontes mais obscuras que iremos explorar, Jesus aparece nada menos do que um revolucionário, ainda que profundamente místico, com base em tradições de um contexto muito mais amplo geográfica e espiritualmente, do que mesmo os renegados da ciência moderna ousam especular. Era o mestre da Galiléia longe da Palestina, como alguns pretendem, durante o tempo de agitação? Poderia ter sido na Índia, ou no Tibete, e retornou ao caos político? A própria Bíblia, especialmente as cartas de Paulo, fornece algumas pistas.

Tecidos através da linguagem poética e mística, os rolos revelam uma devoção a lei judaica que, se estamos lidando com o cristianismo primitivo, parece excluir a evangelização de Paulo entre os gentios, que eram estritamente fora dos limites do Qumranianos supostamente xenófobos. Infelizmente, a Bíblia fornece pouca informação histórica sobre a Igreja Primitiva. O que se sabe foi recolhido de historiadores escrita séculos depois. Contas fiáveis desapareceram com a queda do Templo judaico, em 70 dC, a queima da biblioteca de Alexandria e, como Morton Smith sugeriu que, com a eventual supressão de textos escritos pelo próprio Jesus. Os escritos do apóstolo Paulo, no entanto, ajudam a explicar o cristianismo como o diagnóstico precoce pode ter evoluído a partir de um judaísmo fervoroso nacionalista ao movimento espiritual que varreu o mundo ocidental. Além disso, a experiência de Paulo no caminho de Damasco, pode ser outra peça no quebra-cabeça, a comunhão mística.


Após a morte de Jesus, Paulo viajou e pregou na Judéia e Palestina, acções incompatíveis com o nacionalismo religioso dos Qumranianos, judaísmo ou para essa matéria, apesar da sua linguagem assemelhar-se à dos manuscritos. Foi ele um agente Romano de infiltração nos rebeldes judeus? cooptando o movimento, como Baigent e Leigh sugerem? Ou ele era professor de uma mística inspirada pela revelação progressiva? Vamos olhar mais de perto a sua história.

Depois de ser atingido por uma visão de Jesus na estrada para Damasco, Paulo parte para Roma, Grécia e Ásia Menor, difundindo uma nova religião que exalta a fé em Cristo, em contraste com os pergaminhos e os escritos de Tiago na Igreja de Jerusalém. Tenhamos em mente que o Novo Testamento ainda não existia. A Doutrina cristã, tal como a conhecemos, não se manifestou até o Concílio de Nicéia, em 325 dC. Entanto, Paulo faz Jesus em um avatar estilo oriental, como Krishna, capaz de conduzir os seus seguidores em um estado divino, uma mística terra prometida. Ele prega conjunto com Cristo, uma unidade através do contato interno, a força da trilogia numa mistura de misticismo oriental e dualismo persa que até hoje, apesar de bíblico, desafia a ortodoxia (em paridade espiritual com Cristo é blasfêmia). Paulo fala de um homem interior do coração, tanto na forma como os Vedas da antiga Índia falam de uma identidade espiritual interior Unidos com Brahman, o Todo. Os Manuscritos do Mar Morto também falam dessa identidade, o que sugere laços, ou pelo menos o conhecimento compartilhado, entre os místicos orientais e os judeus do Novo e Velho Testamento. Isso assemelha-se aos escritos da mística judaica conhecida como Cabala.

Eisenman oferece a seguinte tradução de um texto revelando Mar Morto, chamado "As bem-aventuranças" por sua semelhança com a passagem bíblica do mesmo nome. Sua tradução: Produzi o conhecimento do seu eu interior. Esta frase (entre outras na escritura ocidental) parece derivar dos Vedas da Índia, assim como Jesus referindo-se a si mesmo como a Luz do Mundo evoca linguagem de Krishna no Bhagavad Gita. Implícito na tradução é que esse eu, ou atman no sânscrito, é a identidade do Brahman, ou Deus, residente misteriosamente dentro do indivíduo (a força?) Este ensinamento não é judaico-cristão, no sentido ortodoxo. Então, as tradições do Oriente e do Ocidente têm uma origem comum na experiência mística oriental?

Outra evidência nos diz que Jesus ensinou os mistérios iniciáticos, a ciência da imortalidade, como os grandes místicos orientais. Em 1958, num mosteiro ortodoxo grego no deserto da Judéia, Morton Smith descobriu uma carta escrita em 200 dC por Clemente de Alexandria. A letra fala de um evangelho secreto de Marcos, um evangelho mais espiritual, Clemente escreve: "... só de leitura para aqueles que estão a ser iniciados nos grandes mistérios." Esta carta intrigante, escrito muito antes de Eusébio, fala de uma tradição secreta mística sem fronteiras nacionalistas. Que Jesus ensinou e participou esta tradição é mais do que provável. Assim fazendo, ele, com toda probabilidade, não era escravo de agendas regionais, levantando-se para além dos símbolos relativos o bem e o mal, judeus e gentios, enquanto a feroz oposição ao mal espiritual encarnada nos sacerdotes corruptos.

Será que Paulo aproveitou o kernel do cristão e da sabedoria védica, deixando para trás a casca da política, que, como iniciar uma mística na sabedoria oriental que ele tentou levar ao mundo ocidental? Os ensinamentos do Conjunto Heirship e o homem interior do coração parece fazer exatamente isso, a paridade sugerindo espiritual com Cristo, o caminho da unidade no Mar Morto, declarou como: Produzi o conhecimento do seu eu interior. Poderá ser esta a verdadeira ameaça para os pergaminhos no presente, a liberdade espiritual, iluminação individual em oposição à subserviência a ortodoxia? Indo um passo adiante, foi essa busca de unidade mística no coração do cristianismo primitivo?

Textos de um monastério tibetano fornece algumas pistas.

Muitos têm sugerido que o Vaticano mantém textos exóticos sobre a vida de Jesus Cristo, que iria alterar drasticamente as crenças tradicionais sobre as origens cristãs. Em 1887, um viajante russo, Dr. Nicholas Notovitch, alegou que ele descobriu os textos num mosteiro em Himis, Tibet. Retornando à Rússia, ele escreveu "The Unknown Life of Jesus Cristo", um livro sobre a viagem para o oriente Jesus como um homem jovem, seus anos perdidos. Outro livro de Notovitch, a vida de Santo Issa, Jesus descreve o estudo e ensino dos Vedas na Índia. Tomando-se com uma caravana em tenra idade, a história, Jesus percorreu a Rota da Seda, em seguida, para Kapilavastu, local de nascimento de Buda. Enquanto na Índia, ele ferozmente denuncia o sacerdote hindu de classe, os brâmanes, na mesma forma que ele denuncia os fariseus no evangelho de Mateus, que, como afirmou, lembram o tom dos textos do Mar Morto. Um indiano Swami, Abhedananda, publicou um bengali tradução dos textos budistas em 1929. No mesmo ano, Nicholas Roerich, o pintor e explorador, percorreu o Extremo Oriente. Transcrições de seu diário revelam um ensinamento místico sobre o Feminino Divino dado por Jesus na Índia, mais uma vez, semelhante aos ensinamentos nos pergaminhos, e uma visão muito diferente da realidade do que a do Vaticano.


Religião: Inquisição e Tribunal do Santo Oficio



A CRIAÇÃO DA INQUISIÇÃO
Criada sob o pretexto de preservar a fé católica diante do crescimento das heresias, a Inquisição foi uma das etapas mais sombrias da humanidade e da igreja. Em nome de Jesus muitas pessoas foram perseguidas, torturadas e mortas.

Conhecida popularmente como Tribunal do Santo Ofício, a inquisição era uma função na Igreja Católica. Na medida em que a igreja foi organizando sua estrutura, estabeleceu também suas regras que, com o tempo, foram organizadas no Direito Canônico. Os conflitos internos da igreja deram origem ao policiamento do clero, a investigação disciplinar, mais tarde usado no combate ao que eles chamavam de heresias.

O crescimento do dogmatismo, da coerção e do poder material da Igreja, provocou o surgimento de outras igrejas. Algumas tentavam recuperar a pureza e a austeridade da Igreja Primitiva. As dezenas das chamadas seitas que surgiram pregavam uma nova ética cristã, em oposição à opulência, riqueza e aos desmandos da Igreja Católica, que tinha como meta apenas sua prosperidade econômica. A vida luxuosa de alguns líderes da igreja Católica fez com que a população menos favorecida não reconhecesse mais a função religiosa dos representantes do clero.

Novas interpretações religiosas passaram a assumir o papel de uma igreja que se distanciava de suas funções espirituais. Foi dessa forma que surgiram diversos grupos como os joaquistas, os beguinos, os flagelados, os humilhados, etc.

A doutrina chamada pela igreja de herética mais conhecida foi a dos cátaros (puros) ou albigeneses, que se desenvolveu na França, no norte da Itália e norte da Alemanha, durante o século 11. Os cátaros tinham uma igreja organizada e pregavam uma vida simples em comunidade. Defendiam a castidade, o jejum e o vegetarianismo. Organizavam-se em dois grupos: os fiéis e os perfeitos. Diante da opulência da Igreja Católica, a seita atraiu um grande número de adeptos.

A igreja fez oposição aos cátaros com a cruzada Albigenese, que assolou a França durante a primeira metade do século 13. Foi nesse período que as ordens mendicantes dos dominicanos e franciscanos tentaram envolver os hereges com o exemplo de pobreza e humildade.

Muitos hereges eram linchados pela população, e muitos governantes passaram a persegui-los. Dessa forma a Santa Sé (Roma), foi pressionada a oficializar a perseguição aos hereges. Oficialmente as primeiras iniciativas partiram do papa Lúcio III, que amparado pelas recomendações dos concílios de Latrão (1179) e Verona (1184), unificou a repressão às chamadas pela igreja de seitas heréticas.

As atividades inquisidoras do episcopado se intensificaram com o apoio de diversos reinos contra as doutrinas não autorizadas pela Igreja de Roma. O castigo adotado foi o da fogueira contra o delito de lesa-majestade divina, considerado o mais grave crime que poderia ser cometido por uma pessoa.

No entanto, os bispos da igreja não conseguiram controlar a situação. Em 1216, o papa Inocêncio III, elegeu São Domingos de Gusmão, fundador da ordem dos Dominicanos, presidente de um tribunal especial em Toulouse, na França. As decisões do papa tinham como base as determinações do Quarto Concílio de Latrão, de 1215, que estabelecera regras e sustento doutrinário para a inquisição, que foi chamada de “inquisição delegada”, presidida e executada por membros da igreja.

Dessa forma outros tribunais foram criados, ligados a Santa Sé. A estrutura definitiva do Santo Ofício foi delineada no concílio de 1229, em Toulouse, e consolidada em 1231, por bula do papa Gregório IX.

A bula Licet ad Capiendos, do papa Gregório IX, datada de 1233, marcou definitivamente o inicio da inquisição: “onde quer que os ocorra pregar, estais facultados, se os pecadores persistiram em defender a heresia apesar das advertências, a privá-los para sempre dos seus benefícios espirituais e proceder contra eles e todos os outros sem apelação, solicitando em caso de necessário a ajuda das autoridades seculares e vencendo sua oposição, se isto for necessário, por meio de censuras eclesiásticas inapeláveis.

Os chamados inquisidores delegados, geralmente dominicanos ou franciscanos, passaram a agir com eficácia, embora ainda existisse a ação inquisidora dos bispos. Os tribunais eram subordinados ao papa, mas agiam com relativa autonomia. No entanto tornou-se evidente a necessidade de se criar uma coordenação geral das atividades dos tribunais. Dessa forma, o papa Urbano IV crio em 1263, o cargo de Inquisidor Geral, que passou a controlar todos os tribunais da inquisição.

Apesar de ter sido um instrumento útil e poderoso no combate aos chamados hereges, o Tribunal da Inquisição, por suas ações cruéis e injustas, comprometeu a imagem de uma igreja que pregava caridade, amor ao próximo e justiça.

A repercussão de suas atividades e o poder da Inquisição foram muito grandes e se baseavam na idéia implantada a partir do papado de Gregório VII, de que o papa era o representante de Deus na terra. Ele estava no mundo como guarda supremo da fé, para velar pela humanidade, com o poder de intervir nas relações sociais, políticas e religiosas. Qualquer resistência poderia ser aniquilada por ele.

Durante o século 13 a igreja se considerava no auge de seu domínio secular. O papa era o senhor dos corpos e das almas, e tinha poder sobre o bem e o mal. Seus emissários, representantes e inquisidores não executavam diretamente as torturas ou sentenças de morte, embora estivessem presentes em todos esses atos. Após os interrogatórios os réus eram entregues ao estado, às autoridades civis que sob a coação do poder da igreja, eram obrigados a cumprir as penas determinadas aos réus. Caso contrário, também seriam considerados hereges e submetidos ao tribunal.

A pressão era muito grande, pois o papa tinha poder de interditar uma cidade inteira caso seu governante não seguisse suas ordens; o que significaria que, no local os sacramentos da igreja não seriam mais ministrados, e conseqüentemente todos os seus habitantes teriam suas almas “ardendo” no purgatório.

Os acusados deixavam de ter direito aos sacramentos e se reagissem de forma agressiva, às autoridades civis eram obrigadas a intervir. Na primeira fase da Inquisição, o uso da tortura aos poucos foi sendo extinto, sendo autorizada apenas quando já existissem provas do crime ou quando o acusado já tivesse uma má fama.

Inicialmente a prática da tortura habitual nos processos civis foi rejeitada pelos papas, que chegaram a punir alguns inquisidores por sua crueldade. No entanto, em 1252, o papa Inocêncio IV autorizou o uso da tortura quando houvesse algum tipo de dúvida sobre a declaração do acusado.

De acordo com o Concílio de Viena, de 1311, os inquisidores só poderiam usar a tortura com a autorização do bispo diocesano e de uma comissão julgadora que analisava cada caso em particular.

A tortura poderia ser recomendada quando não havia certeza sobre a culpa do acusado. Muitas vezes, a tortura era adiada para que o medo do réu aumentasse e dessa forma ele decidisse confessar sua falta, independente de ser culpado ou inocente, já que depois da acusação não havia a possibilidade de alguém ser inocentado e jamais havia perdão. Aquele que confessava deixava de ser torturado, mas não escapava da pena de morte.

O REGIMENTO INTERNO DA INQUISIÇÃO
Em 1376, surgiu uma espécie de regimento interno do Santo Ofício, um Manual dos Inquisidores, elaborado pelo dominicano Nicolau Eymerich. Mais tarde, o documento foi ampliado pelo dominicano espanhol Francisco de La Peña. O manual era extenso e tinha detalhes sobre a realização das acusações. Os hereges deveriam ser condenados a morte nas chamas em praça pública. Havia o cuidado de se prender a língua dos réus ou amordaçá-los para que não blasfemassem ou ferissem a fé dos que estavam assistindo o cumprimento da pena.

Os inquisidores eram treinados para perceber detalhes nas pessoas que justificassem suspeitas de heresia, tais como hábitos, vestimentas e alimentação. Milhares de mulheres pobres, velhas e desportegidas por serem solteiras, foram sujeitadas a torturas inomináveis. Ao todo foram exacutadas por volta de 30.000 mulheres acusadas de feitiçaria, até o fim do século XVI. As bruxas eram acusadas por todo tipo de calamidade: tempestades, secas, morte de animais em fazendas.

Judeus e sarracenos (muçulmanos) eram motivos de ação dos inquisidores. Sofriam as mesmas suspeitas de heresia aqueles que não freqüentassem a igreja ou não cumprisse seus sacramentos.

A grande ordem era exterminar todos aqueles que se conduzissem contrário as ordens de Roma. As famílias dos acusados sofriam terrivelmente, pois, além da zombaria geral, ficavam em total miséria, pois todos os seu bens, móveis e imóveis eram confiscados pela igreja.

As execuções geralmente ocorriam em dias de festas religiosas e eram precedidas pelos autos-de-fé. Celebrava-se uma missa e se fazia a leitura das sentenças. As execuções eram públicas, eram ao mesmo tempo uma prestação de contas da igreja e um alerta para as pessoas não cometerem os mesmos crimes.

Não existia um limite de idade ou sexo para se ser submetido à Inquisição e às suas torturas. As penas podiam ser brandas e progrediam de acordo com a gravidade da acusação. Todos os castigos impostos pela igreja envolviam flagelos, torturas e confisco de bens pela igreja. Quando a sentença era prisão perpetua, o réu ficava a pão e água, logo morria de inanição e seu corpo era queimado.

Os inquisidores prescreviam a tortura sem intervenção de outras autoridades, e aplicavam-na com ajuda de outros irmãos da Ordem Dominicana, em salas especialmente preparadas nos cárceres do Santo Ofício.

Cada sessão não poderia passar de uma hora e não poderia ser repetida. A confissão obtida sob tortura deveria ser ratificada após um prazo mínimo de 24 horas, para se ter certeza de que o réu não se acusara falsamente para acabar com o tormento. No entanto muitos acusados morriam durante a sessão de tortura.

Na sociedade moderna a caça as bruxas e aos hereges tornou-se importante, pois qualquer um poderia ser considerado ou apontado como um inimigo. O estado por meio de leis proibia as atividades daqueles que eram considerados criminosos pela fé. Dessa forma crimes contra a religião católica eram julgados tanto pelo estado quanto pela igreja, pelo governador ou pelo bispo.

O MAIS CRUEL DOS INQUISIDORES
Frei Tomás de Torquemada foi considerado o mais aterrorizante inquisidor da história. Ele explorava a desconfiança popular com relação aos judeus convertidos e divulgava a idéia de que o mundo deveria contar apenas com “católicos puros”. Para estimular as delações Torquemada elaborou uma cartilha com instruções que ensinava aos católicos como vigiar seus vizinhos e reconhecer prováveis traços de práticas judaicas. O uso de roupas limpas e coloridas aos sábados, a limpeza da casa na sexta-feira e a recitação de preces diante de um muro eram algumas das características que podiam determinar uma ligação com o judaísmo.

A INQUISIÇÃO CONTRA CIÊNCIA
Muitos cientistas enfrentaram ameaças da inquisição, entre o fim da Idade Média e o início do Renascimento. Para escapar dos olhares vigilantes de Roma, Leonardo da Vinci, por exemplo, escondeu seus projetos de todos que o rodeavam, exceto seus discipulos mais próximos. Com a mesma preocupação Nicolau Copérnico deixou de publicar seus estudos sobre astronomia, fazendo a publicação apenas quando estava prestes a morrer.

Os que desafiaram o papado sentiram as diferenças que havia entre a fé católica e a ciência. Em fins do século 17, Giordano Bruno foi executado por suas obras e idéias heréticas, tornando-se o primeiro martir da ciência. Mas o caso mais famoso foi o do italiano Galileu Galilei, considerado o pai da Ciência Moderna. Ele só escapou da morte ao pedir perdão no Vaticano por ter afirmado que a Terra é que girava em torno do Sol, e não o contrário, como afirmava a Igreja até então.

A INQUISIÇÃO EM PORTUGAL
Portugal vivia a grande aventura mercantilista dos descobrimentos, que dependia do apoio econômico dos comerciantes judeus. A rejeição portuguesa aos judeus partia da população estimulada pela Igreja Católica. A coroa portuguesa sempre tentou contornar a situação dos judeus, abrandando e esfriando os ânimos. Em alguns momentos protegiam-nos, proibindo o constrangimento do batismo obrigatório.

Com a implantação da Inquisição na Espanha, a situação portuguesa se alterou, pois o povo e a igreja julgavam uma afronta um país que não tivesse a Inquisição em seus domínios. Por causa das perseguições, muitos judeus fugiram da Espanha para Portugal, deixando a situação ainda mais delicada e explosiva. Em 1487, D. João II obteve a autorização do papa para punir os marranos (judeus convertidos ao catolicismo) que faltassem com seus deveres católicos. Muitos morreram no fogo.

Apesar de se converterem ao catolicismo os judeus fieis às suas crenças persistiam em não aceitar as ordens da igreja. Durante estes anos vários massacres de judeus aconteceram em Lisboa. Muitos optaram por fugir do país levando seus tesouros, o que prejudicou a economia nacional.

INQUISIÇÃO, O SANTO OFÍCIO NO BRASIL
Embora o Santo Ofício não tenha estabelecido oficialmente um Tribunal no Brasil, os bispos locais tinham poderes para prender e confiscar os bens de suspeitos, enviar prisioneiros ou seus processos a Inquisição em Lisboa. Eventualmente algum padre visitador, membro da Inquisição vinha ao Brasil, e suas investigações concentravam-se em casos envolvendo bruxaria, blasfêmia contra a igreja, além dos novos convertidos ao catolicismo.

A primeira visitação do Santo Ofício que se tem notícia no Brasil foi em 1591, estendeu-se por dois anos. Até 1624, foram processados 245 novos católicos, todos sob a acusação de ainda praticarem o judaísmo. Entre 1649 e 1748, cerca de 18 brasileiros foram condenados à morte pela Inquisição em Lisboa.

O PEDIDO DE PERDÃO DA IGREJA CATÓLICA
No dia 15 de março de 2000, o papa João Paulo II, no documento Memória e Reconciliação: a Igreja e as Culpas do Passado. Agrupou as incorreções e os pecados cometidos pela Igreja no passado, quando levada pelo seu crescente poder temporal, foi intolerante, opressora e até mesmo corrupta. Com mais de 90 páginas, o documento tornou-se a maior demonstração de expiação publica da história do catolicismo romano, pois por meio dele o papa pediu perdão pela série de pecados cometidos desde a origem da Igreja. Entre os diversos pecados citados no documento consta os da intolerância com os dissidentes e guerras religiosas, compreendendo as Cruzadas e a Inquisição.

Religião: Jesus Histórico



Naquela época vivia Jesus, homem sábio, de excelente conduta e virtude reconhecida. Muitos judeus e homens de outras nações converteram-se em seus discípulos. Pilatos ordenou que fosse crucificado e morto, mas aqueles que foram seus discípulos não voltaram atrás e afirmaram que ele lhes havia aparecido três dias após sua crucificação: estava vivo. Talvez ele fosse o Messias sobre o qual os profetas anunciaram coisas maravilhosas", trecho de "Antiguidades Judaicas", de Flavio Josefo, primeiro historiador judeu, ano 95 d.C.
Nenhum outro debate permaneceu durante tanto tempo em voga quanto os que dizem respeito a Jesus de Nazaré. Personagem controverso e questionado por alguns, Jesus permanece como fonte de estudos para pessoas interessadas em sua mensagem espiritual, enquanto outros procuram saber mais sobre a influência que exerceu sobre um elevado número de pessoas na Palestina. Para os Cristãos, ele é o Messias, salvador da humanidade. Já para os muçulmanos, um grande profeta. Enquanto isso, um outro contingente acredita que toda sua pregação não passa de um mito criado por fanáticos religiosos.
Em meio à essas discussões, arqueólogos, teólogos e historiadores buscam encontrar vestígios concretos da época em que Jesus viveu para conhecer mais sobre seus costumes e saber mais sobre o contexto da região. No atual momento das pesquisas, já não se questiona mais a existência de Jesus. Agora, resta saber o que ele, de fato, fazia, como se relacionava com as pessoas e a importância que teve no cenário da Judéia no primeiro século.
"Não é preciso comprovar a existência de Jesus arqueologicamente, pois existem várias evidências históricas. Além da literatura cristã primitiva temos testemunhos do Talmude, um dos textos sagrados do judaísmo, e de Josefo, o primeiro historiador judeu. Do ponto de vista histórico, é mais do que suficiente", explica o teólogo da UMESP (Universidade Metodista de São Paulo), Gabriele Cornelli. "A arqueologia serve para descobrir qual era o contexto econômico, social, financeiro e agrícola da Galiléia. Descobrir, por exemplo, quantas pessoas moravam na região, qual era a ocupação econômica principal e coisas do tipo, para colocar a figura de Jesus no seu berço."
A busca pelo Cristo da história, não somente o apresentado pela religião, tem mostrado que grande parte do que está apontado na Bíblia tem encontrado reflexo na arqueologia. Um ponto comprovado, por exemplo, é o status financeiro da região, bem como a atividade de Jesus e José, descritos como marceneiros pela Bíblia.
"Nessas pesquisas, foi possível descobrir que a Galiléia era uma região pobre e rural. Mas que atravessava um momento de forte expansão urbanística. Portanto, era preciso muita mão de obra", relata Cornelli. "Por conseqüência, de marceneiros. Assim, a informação de que a família de Jesus fosse de marceneiros no interior procede do ponto de vista da migração de trabalhadores da construção."
Outra questão em que se avançou bastante é na relação política entre romanos e judeus à época. Assim, a crise política apontada no polêmico filme "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson. Na obra, Pilatos se vê indeciso entre atender às exigências de Caifás, o sumo sacerdote, ou libertar Jesus, em quem não vê culpa. Essa divisão é sustentada por estudos que apontam a Judéia como uma região politicamente instável e tida como um provável berço de insurreições contra o domínio de César. Desta forma, negar o clamor por crucificação poderia significar a explosão de uma guerra civil, uma vez que a população estava dividida.
"Vemos na história romana alguns indícios de que a Judéia sempre foi vista como uma região repleta de rebeldes, dispostos a promover uma insurreição a qualquer momento. Todas as províncias romanas tinham o direito de ter um rei próprio, mas Jerusalém e a Judéia perdem essa condição e sofrem intervenção através de um procurador romano. Pilatos foi um desses", detalha o teólogo da Unasp (Centro Universitário Adventista de São Paulo), Rodrigo Pereira da Silva. "Nesse aspecto, faz muito sentido a visão do Mel Gibson de que Pilatos temia uma guerra civil. E era provável que isso acontecesse mesmo."

A Paixão de Cristo

Compreendendo melhor o contexto histórico, os pesquisadores têm avançado em eventos considerados mais importantes, como a Paixão de Cristo. Embora ainda muito contestado, algumas descobertas têm servido para esclarecer determinados pontos da crucificação e morte de Jesus de Nazaré. Atualmente já se sabe que, ao contrário do que indicava a lei da época, os romanos abriam algumas exceções para que criminosos condenados à morte por crucificação pudessem ser sepultados por suas famílias. Isso acontecia, principalmente, no caso de famílias ricas (vale lembrar que, segundo a bíblia, foi José de Arimatéia, um rico senador, que solicitou a Pilatos o corpo de Jesus - Marcos 15:43).
Essas confirmações foram fortemente reforçadas em 1968. Após a Guerra dos Seis Dias, foi encontrada uma caixa mortuária de um jovem que teria sido crucificado. "Nesta caixa de pedra estava gravado o nome ´Iohanan, bar Hagagol` (João, filho de Hagagol). Nesse achado, um dos ossos do calcanhar tinha um cravo romano atravessado nele. É o único corpo de alguém crucificado que se encontrou até hoje, porque os demais os romanos jogavam em lixões, pois não tinham direito a sepultamento digno. Esse foi uma das exceções", relata Silva. Essa descoberta também apontou alterações na forma como se imaginava a crucificação, pois demonstrou que o cravo não era transpassado no peito do pé, e sim na lateral do calcanhar.
Os estudos apontaram também os rituais de sepultamento dos judeus do primeiro século. Os mortos não eram sepultados imediatamente. Após seu falecimento, eram lavados, envoltos em um lençol e colocados em uma caverna, onde permaneciam durante anos. "Depois desse período, a pedra era removida, tiravam-se os ossos da pessoa, colocavam em caixas de pedra e elas eram colocadas em uma parede, para economia de espaço. O sepultamento, propriamente dito, era a remoção dos ossos da caverna", explica Silva. O relato da ressurreição de Jesus (e também a de Lázaro) diz respeito a esta fase da caverna.
Ainda assim, alguns pesquisadores contestam os detalhes da crucificação alegando que algumas contradições não permitem que se julgue completamente verdadeiro o martírio. Um fator bastante contestado, por exemplo, é o fato de o julgamento ter sido realizado durante a noite, o que era proibido pelo governo romano. Outra questão é que, segundo o Torá, ninguém poderia ser sacrificado antes da Páscoa.
"Alguns se apegam esses detalhes contra a historicidade do julgamento de Jesus. Mas se isso procedesse, teríamos que anular centenas e centenas de julgamentos que sabemos que não foram justos. Há uma série de julgamentos, o de Sócrates, por exemplo, em que foram quebrados vários direitos dos condenados. De fato, houve muita ilegalidade no julgamento de Jesus, mas isso não desmente que aquilo aconteceu", rechaça Silva, que também é curador do Museu Brasileiro de Arqueologia Bíblica, localizado no interior de São Paulo, próximo à cidade de Campinas.

Fé e razão

A busca de pesquisadores pela história real da bíblia pouco tem a ver, no entanto, com a fé - ou a ausência dela - dos mesmos. Em geral, os arqueólogos e historiadores não pretendem comprovar, ou contestar, a Bíblia. Sua intenção é compreender o mundo atual e os atores que o conduziram a esta condição. "Existem muitas pessoas que falam besteira sobre isso. Se deixam conduzir simplesmente pela questão da fé. Se você acredita na salvação, ok. Mas os estudos histórico-científicos não têm nada a ver com fé", diz Cornelli.
No entanto, é difícil afirmar que os dois fatores são necessariamente exclusivos. "É bom ressaltar que a arqueologia não tem como pressuposto provar a bíblia. Este é um livro que demanda fé e fala de coisas sobrenaturais. Não consigo provar, por exemplo, que Jesus andou sobre as águas. Mas consigo, pelos estudos, confirmar ou desmentir os fatos históricos que ela conta", diz Silva. "A religião é fé. Mas isso também demanda o lado racional. As religiões têm sido desacreditadas por diversas razões. Posso ser racional, trabalhar com método científico, e, com mais certeza, crer no que está escrito na Bíblia e acreditar que ela é a palavra de Deus."

Documentos comprovam existência histórica de Jesus

Além de toda a literatura produzida por seguidores, como os 27 livros do Novo Testamento, documentação produzida por historiadores e governantes contemporâneos atestam a historicidade da existência e missão de Jesus Cristo.
O historiador José Flávio (37-97 d.C.), nascido em Jerusalém, conheceu a primitiva comunidade cristã e, como pertencente à nobreza sacerdotal judaica, ocupou-se criticamente dos seguidores de Jesus. Em sua obra Antigüidades Judaicas, ele afirma que "neste período viveu Jesus, homem sábio (se é possível chamá-lo de homem). Ele fez obras maravilhosas. Ele atraiu a sí muitos judeus e pagãos. E quando, pelas acusações dos nossos homens de prestígio, Pilatos o condenou à crucificação, aqueles que o tinham amado não o abandonaram. Ainda hoje não desapareceu o gênero dos que dele têm o nome de cristãos" (XVIII 3,3).
Plínio, o moço, escreveu ao imperador Trajano no ano 112 para saber como se comportar em relação aos cristãos. Em sua carta explica: "É meu costume, meu senhor, referir a ti tudo aquilo acerca do qual tenho dúvidas... Nunca presenciei a julgamento contra os cristãos... Eles admitem que toda sua culpa ou erro consiste nisso: que usam se reunir num dia marcado antes da alvorada, para cantar hino a Cristo como Deus... Parecia-me um caso sobre o qual devo te consultar, sobretudo pelo número dos acusados... De fato, muitos de toda idade, condição e sexo, são chamados em juízo e o serão. O contágio desta superstição invadiu não somente as cidades, mas também o interior; parece-me que ainda se possa fazer alguma coisa para parar e corrigir... " (Ep. X, 96).
O procurador da Judéia, Públius Lêntulus, dirigiu carta ao Imperador Tiberius César no ano 32, provavelmente a pedido desse, apresentando um retrato falado de Jesus. "''Existe nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente, de grandes virtudes, chamado Jesus"...

(Ler o conteúdo completo da carta)

Religião: Carta de Públius Lêntulus



Carta escrita pelo pretor Publius Lentulus, mais conhecido pelos historiadores como Sura, ao Imperador Tibério Cesar, conforme cópia descoberta nos arquivos do Rei Abgar de Edessa (atual Turquia), o qual, nela baseado mandou pintar o mais antigo retrato conhecido de Jesus, O Mandylion de Edessa.
Talvez seja a única prova das características fisicas de Jesus:

''Existe nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente, de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado profeta da verdade e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do Céu e da Terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus; ressuscita os mortos, cura os enfermos; em uma só palavra: é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto. Há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou a temê-lo. Tem os cabelos da cor da amêndoa bem madura, distendidos até às orelhas e das orelhas até às espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio da sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos Nazarenos; o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio; seu olhar é muito especioso e grave; tem os olhos graciosos e claros; o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando ameniza faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade. Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele alguém se aproxima, verifica que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua mãe, a qual é de uma rara beleza; não se tendo jamais visto, por estas partes, uma donzela tão bela... De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de tua Majestade. Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde.


Esoterismo: Cristianismo Esotérico



Cristianismo Esotérico é a vertente do Cristianismo composta pelas escolas de mistérios, constituindo o que se conhece como a parte mística do Cristianismo. Trata-se de um segmento minoritário, uma vez que não se dirige às massas nem faz proselitismo, e não é estruturado em igrejas, apesar de a maioria das escolas terem rituais específicos. A este ramo do Cristianismo pertencem o Gnosticismo e o Rosacrucianismo (apesar de muitas organizações com o nome "Rosacruz" não se vincularem ao Cristianismo). Os Essênios são considerados os precursores do Cristianismo Esotérico.

A doutrina

As bases da doutrina cristã esotérica se diferenciam dentro da comunidade cristã especialmente pelo fato de a reencarnação e o evolucionismo constituirem seus pontos-chave. Assim como as demais vertentes cristãs, considera-se a Bíblia e, especialmente os Evangelhos como fontes de autoridade dos mistérios de Deus, mas a Bíblia não é considerada a "palavra de Deus" nem deve ser interpretada literalmente, ou considerá-la à prova de erros. Outras escrituras que não foram incluídas na Bíblia também são amplamente consideradas, entre as quais muitos dos evangelhos apócrifos. Cristo é considerado como o líder da humanidade e governante do Sistema Solar, sendo onipresente assim como Deus, e por isso tendo uma centelha dentro de cada forma vivente (o chamado "Cristo Interno"). É considerado também a única entidade à qual o homem deve se dirigir, rejeitando-se portanto o culto a santos e imagens.

Os cristãos esoteristas advogam que não há inferno ou paraíso, ou, pelo menos, que não sejam eternos. Cada pessoa paga por aquilo que praticou, na exata proporção. A todos é concedida a oportunidade de reencarnação, para o aperfeiçoamento do caráter; e a salvação será dada a toda a humanidade - alguns em mais tempo, outros em menos tempo.

Não existem sacerdotes na hierarquia. As escolas geralmente se compõem de um ou mais instrutores, mas que não ministram qualquer tipo de sacramento. O único sacramento reconhecido é a chamada iniciação, que não ocorre dentro das escolas, mas, segundo afirmam os cristãos esoteristas, é um processo de ordem espiritual, no qual o indivíduo a ser "iniciado", por meio de exercícios de ordem espiritual, consegue tirar a glândula pineal do estado latente e colocar-se em contato direto com os mundos supra-físicos, podendo vê-lo e senti-lo.

A maioria das escolas sustenta que existem nove iniciações menores e quatro iniciações maiores, sendo que nas iniciações maiores o homem adquire o poder da magia, tendo, entre outras faculdades, a de falar todos os idiomas como se fosse nativo e constituir um corpo físico sem passar pelo processo de gestação. Nem todas as iniciações aconteceriam numa mesma encarnação, sendo que poderia haver crianças "excepcionais", de inteligência muito acima da média, que já teria sido iniciada em vidas anteriores.

Conversão

Não há proselitismo religioso dentro do Cristianismo Esotérico. Os membros das escolas cristãs esotéricas entendem que todas as religiões são provenientes de Deus, que as teria apresentado conforme as necessidades espirituais e o nível de evolução de cada povo, embora sustentem que o Cristianismo é a religião preparada para os mais avançados da humanidade, na escala de evolução espiritual. Também não existem impedimentos àqueles que desejarem se converter, desde que a conversão seja por livre e espontânea vontade. Não há juramentos especiais e os convertidos podem livremente manter contato com suas religiões de origem.

Notas históricas

Do ponto de vista do oculto, a tradição Cristã esotérica remonta-se, a si própria, primariamente a uma excelsa e devota Ordem que existiu na Palestina, designada por Essénios. Eles são descritos como um terceiro grupo que existiu para além dos outros dois mencionados no Novo Testamento, os hipócritas Fariseus e os materialistas Saduceus. Os Essénios não são mencionados no Novo Testamento e evitavam qualquer referência a si próprios e aos seus métodos de estudo e de adoração. Jesus, de acordo com a tradição Cristã esotérica, foi um elevado Iniciado educado pelos Essénios, até aos trinta anos de idade, e alcançou um estado muito elevado de desenvolvimento espiritual. É possível que a sua educação haja sido conduzida entre os Essénios Nazarenos de Monte Carmelo, uma comunidade na zona da Galileia.

Os ensinamentos ocultos Cristãos referem que a maior fonte viva da tradição Cristã esotérica, no decorrer do desenvolvimento da civilização ocidental, teve início no século XIV com a constituição de uma irmandade secreta de homens santos designada por Ordem Rosacruz, que se expôs a si mesma pela primeira vez na profunda obra esotérica A Divina Comédia. Esta Ordem abriu a Iniciação nos Mistérios, naquele tempo e nos séculos que se seguiram, aos indivíduos com maior preparação e mérito, qualidades alcançadas por esforço dos próprios. Por volta dessa época começa também a idade da Alquimia, expressando o conhecimentos oculto através de escritos herméticos, do tipo criptográfico, para evitar a perseguição e o mau uso dos ensinamentos sagrados por parte do homem. Nos seus Manifestos do início o século XVII, a Ordem Rosacruz menciona "nós reconhecemo-nos verdadeiramente e sinceramente professar Cristo (...) viciamo-nos na verdadeira Filosofia, levamos uma vida Cristã" (in Confessio Fraternitatis [1], 1615) e estabelece o tempo e o modo como viria a apresentar publicamente ao mundo o seu conhecimento, num esforço para trazer uma "Reforma da Humanidade" através de uma mais avançada fase da religião Cristã. O Cristianismo Rosacruz, começado no início do século XX em 'Monte Ecclesia' [2] relaciona-se a si próprio com este renascimento público da Ordem.

A teosofia Cristã clássica, que precede a Sociedade Teosófica e o Martinismo, inclui alquimistas conhecidos, através dos seus escritos, como estando ligados ao movimento Rosacruz. Entre os Cristãos teosofistas encontramos homens letrados como Valentin Weigel, Heinrich Kunrath, Johann Arndt, Johann Georg Gitchel, Jakob Boehme, Gottfried Arnold, Jan Baptist van Helmont, Robert Fludd, John Pordage, Jane Leade, e Pierre Poiret.

Mais tarde, é especialmente reconhecido Emanuel Swedenborg porque uma igreja seguiu os seus ensinamentos desde 1787. A New Church e a Swedenborgian Church of North America. Martines de Pasqually, Louis-Claude de Saint-Martin e Jean-Baptiste Willermoz são três das mais influentes figuras do Martinismo, que data do início do século XVII e continua a existir até aos dias de hoje.

Outras perspectivas modernas sobre o Cristianismo Esotérico incluem a Ordem Hermética da Aurora Dourada e suas principais ramificações, os Builders of the Adytum, a Society of the Inner Light e os Servants of the Light. Paul Foster Case, W. E. Butler, Dion Fortune e Gareth Knight em particular, são autoridades desses ramos que contribuíram para a literatura dedicada a um Cristianismo Esotérico. Alguns dos modernos neo-Templários e neo-Essénios são também dignos de nota.

Fundamentos Bíblicos

O Caminho: « Ego sum Via, Veritas et Vita »

* Jesus respondeu-lhe: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim. (João 14:6)

O Conhecimento Esotérico

* Respondendo, disse-lhes: «A vós é dado a conhecer os mistérios do Reino do Céu, mas a eles não lhes é dado. (Mateus 13:11)

* Disse-lhes: «A vós foi dado a conhecer os mistérios do Reino de Deus; mas aos outros fala-se-lhes em parábolas, a fim de que, vendo, não vejam e, ouvindo, não entendam.» (Lucas 8:10)

A Vivência Mística (o coração)

* Jesus disse, então, aos discípulos: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. (Mateus 16:24)

* Depois, dirigindo-se a todos, disse: «Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me. (Lucas 9:23)

O Estudo Oculto (a mente)

* e disse: «Em Verdade vos digo: Se não voltardes a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino do Céu. (Mateus 18:3)

* Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como um pequenino, não entrará nele.» (Marcos 10:15)

[editar] Escritos do século XX

* O mundo ocidental é, sem dúvida, a vanguarda da raça humana e, por motivos que indicaremos nas páginas seguintes, os Rosacruzes sustentam que nem o Judaísmo nem o "Cristianismo Popular", mas sim o verdadeiro Cristianismo Esotérico será a religião mundial. (Max Heindel in Conceito Rosacruz do Cosmos, [3], 1909; Fraternidade Rosacruz)

* Este é o caminho da Sabedoria Divina, da verdadeira teosofia. Ela não é, como alguns pensam, uma versão diluída do Hinduísmo, ou do Budismo, ou do Taoísmo, ou de qualquer religião particular. Ela é tão verdadeiramente Cristianismo Esotérico como é Budismo Esotérico, e pertence igualmente a todas as religiões, e a nenhuma com exclusividade. (Annie Besant in Cristianismo Esotérico ou Os Mistérios Menores [4], 1914; Sociedade Teosófica)

* No Cristianismo, também, especialmente no que concerne ao seu ponto central, o Mistério do Gólgota, nós temos de fazer uma distinção entre concepções exotéricas e conhecimento esotérico. Uma contemplação exotérica do Cristianismo, acessível a todo o mundo, está contida nos Evangelhos. Lado a lado com esta contemplação exotérica, sempre houve um Cristianismo esotérico para aqueles que tinham vontade - como eu disse antes - de preparar os seus corações e mentes de uma forma adequada para a recepção de um Cristianismo esotérico. (Rudolf Steiner, Cristianismo Exotérico e Esotérico [5], 1922, Sociedade Antroposófica)

* Se este doutrina interior foi sempre resguardada das massas, das quais por um código simples foi dividida, não é altamente provável que os expoentes de cada aspecto da civilização moderna--filosóficos, éticos, religiosos, e científicos-sejam ignorantes do verdadeiro significado de todas as teorias e postulados em que as suas crenças são fundadas? Encobrem as artes e ciências que a raça herdou de nações mais antigas por debaixo do seu justo exterior um mistério tão grande que só o mais iluminado intelecto pode alcançar a sua importância? Tal é sem dúvida o caso. (Manly Palmer Hall, Os Ensinamentos Secretos de Todas as Eras [6], 1928, Philosophical Research Society)

Ensaios na actualidade

* Carol E. Parrish-Harra: The Cornerstone of Esoteric Christianity
* Charles Weber: Rosicrucianism and Religion, Christianity
* Jan Skogstrom: Esoteric Christianity - What does it mean? and Some Comparisons Between Exoteric & Esoteric Christianity
* Marie-José Clerc: Christ is the Divine Messenger
* Michael Hoffman: Esoteric/Mystic/Experiential Christianity
* Norman D. Livergood: Esoteric Christianity
* Richard S. Kirby: The Focus of Esoteric Futures


Este artigo está licenciado sob a GNU Free Documentation License. Usa material do artigo da Wikipédia "Cristianismo Esotérico".